Ciência
05/09/2002 - 04h02

Johannesburgo escapa de uma crise ambiental

CLAUDIO ANGELO
Enviado especial da Folha de S.Paulo a Johannesburgo

Se o mundo não ficar mais verde depois da Rio +10, pelo menos a maior cidade da África do Sul deverá deixar de perder ambientalmente com a conferência. É o que acham os organizadores da campanha "Greening the World Summit" (esverdeando a cúpula mundial, em inglês), que lutou para reduzir o impacto da megaconferência sobre a cidade.

A campanha, financiada pelo governo sul-africano e pelo GEF (Fundo Ambiental Global), previa a reciclagem da maior parte do lixo gerado por 64 mil delegados, a economia de água e o uso de transportes coletivos para reduzir emissões de CO2, principal gás causador do efeito estufa.

Também foi instalado na chamada Umbuto Village, o centro de exposições da Rio +10, o Barômetro do Consumo. O instrumento media a pressão ambiental da conferência sobre a cidade.

A campanha de "esverdeamento" também pôs em prática um comércio de carbono. Os delegados em Johannesburgo foram convidados a comprar créditos pelo total de CO2 emitido por ônibus e aviões que os trouxeram à cidade, projetado em 289 mil toneladas.

Por US$ 10, cada delegado pôde comprar uma tonelada de carbono, recebendo em troca um certificado de que o dinheiro seria investido em projetos de eficiência energética e substituição de combustíveis fósseis na África do Sul - país cuja eletricidade é quase toda gerada por termelétricas a carvão.

O encontro terminou com 62 mil toneladas "abatidas". Entre os compradores esteve o presidente Fernando Henrique Cardoso.

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