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20/09/2002 - 10h54

Britânicas lutam na Justiça para usar embriões congelados

da Folha Online

As britânicas Natallie Evans, 30, e Lorraine Hadley, 37, entraram ontem com uma ação no Supremo Tribunal de Londres para garantir a manutenção de embriões fecundados e congelados, os quais seus ex-companheiros querem destruir.

As alegam que seus direitos não são respeitados pela lei, que exige o consentimento de ambas as partes para conservar e utilizar embriões congelados. Evans e Hadley se encontraram ontem com seus ex-companheiros em audiência preliminar.

Evans congelou seis embriões quando médicos diagnosticaram um câncer em seu ovário, para ter posteriormente um filho com seu noivo, Howard Johnson, 25 anos, assim que fosse curada. No entanto, após o término do relacionamento, Johnson pede que a clínica Bath, no oeste da Inglaterra, destrua esses embriões.

Hadley, moradora de Stafford (centro de Inglaterra), que também congelou dois embriões, enfrenta uma situação muito parecida porque seu ex-marido, Wayne Hadley, 31, também deseja que eles sejam destruídos.

Wayne, pai de uma jovem de 17 anos de uma relação anterior, tem problemas de fertilidade. Em um comunicado divulgado por seus advogados, ele garantiu lamentar ter de recorrer aos tribunais.

"Não quero fazer mal à Lorraine, mas não quero ter um filho anos depois do fim do nosso matrimônio. Que tipos de danos emocionais ou psicológicos pode ter uma criança concebida nessas circunstâncias?", questiona Hadley.

Apesar de o caso ser pioneiro o Reino Unido, já houve processos similares nos Estados Unidos e na Austrália, segundo a advogada Muiris Lyons, que defende Lorraine Hadley.

"Já houve casos similares em que as cortes conduziram um balanço entre os interesses diferentes das partes", afirmou. "E o que parece ser um fator decisivo é que essa é a última chance das próprias mulheres gerarem uma criança."

A decisão da Suprema Corte deve ser anunciada no próximo ano. Até lá, os embriões permanecerão congelados.

Com agências internacionais
 

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