Ciência
27/12/2002 - 17h29

Raelianos esperam abrir laboratório de clonagem no Brasil

CRISTINA AMORIM
da Folha Online

O porta-voz do movimento raeliano no Brasil, o franco-espanhol David Uzal, disse hoje que a Clonaid, empresa que anunciou ontem o nascimento do que seria o primeiro clone humano, tem planos de abrir uma filial no Brasil.

Uma data não foi definida, mas uma visita ao país da diretora da empresa, a química Brigitte Boisselier, 46, é esperada para março ou abril de 2003.

De acordo com a Lei de Biossegurança, as experiências de manipulação genética são proibidas no Brasil. Um projeto de lei específico sobre a clonagem está atualmente no Senado. O porta-voz enviou uma carta para a comissão que trata da questão, em nome dos cerca de 200 raelianos presentes no país, pedindo uma "posição progressista" sobre o assunto. "Esperamos que o próximo governo tenha outra posição", disse.

Uzal disse que a segunda fase de trabalhos da Clonaid, que começa após o nascimento de cinco crianças, envolve 200 pedidos de clonagem --entre eles, um brasileiro.

Difusão
Uzal conta que veio para o Brasil há três anos, a pedido do francês Rael, líder do movimento, para difundir na América do Sul o que chama de "religião atéia". "O Brasil possui uma tolerância religiosa que não encontramos em outros países, como a França", afirma.

A divulgação do movimento é feita pelo site (www.rael.org) e por palestras, principalmente no interior do Rio Grande do Sul.

O porta-voz explica que o movimento prega a "revolução científica", cuja data inaugural seria 6 de agosto de 1945, quando os Estados Unidos lançaram uma bomba atômica em Hiroshima, no Japão. "A ciência gera a vida", diz. "Acreditamos que a ciência vai libertar o homem. E a ciência é neutra."

O movimento foi criado em 1975, após Rael --cujo nome verdadeiro é Claude Vorilhon-- ter se encontrado com "seres humanos de outros planetas", como detalha Uzal. Eles teriam criado a raça humana há 25 mil anos, "mas os antepassados os mistificaram como deuses".

Os extraterrestres estariam localizados em um planeta a três anos-luz da Terra. Porém, o porta-voz não quis divulgar seu nome ou localização exata por causa do caráter "belicista" dos terráqueos.

O movimento prega o uso da clonagem como forma de se alcançar a imortalidade. Por isso, Uzal prepara uma festa para comemorar o anúncio feito por Boisselier. "Esperamos que o nascimento abra os olhos das pessoas e que elas entendam que a clonagem é só uma técnica de reprodução assistida", afirma o raeliano. "Acreditamos que as besteiras que falam sobre a clonagem vão sumir."

O anúncio provocou ceticismo e indignação na comunidade médica e científica. Os cientistas desafiam Boisselier a provar o feito reproduzindo o código genético do bebê e o do adulto original.

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