Ciência
27/12/2002 - 18h23

Clonagem reprodutiva divide comunidade internacional

da France Presse, em Nova York

A comunidade internacional permanece dividida a respeito da adoção de uma convenção que proíba a clonagem humana com fins reprodutivos, no momento em que o movimento raeliano anunciou o nascimento de um bebê clonado.

A comissão das Nações Unidas que devia estabelecer os itens da resolução dissolveu-se no final de setembro, em Nova York, Estados Unidos, sem conseguir um acordo sobre o texto proposto por Alemanha e França. A adoção deste texto aceleraria o processo e permitiria que a convenção fosse adotada até o fim de 2004.

O bloqueio oscila entre a oposição dos partidários de uma proibição imediata da clonagem reprodutiva e aqueles que, como Estados Unidos ou o Vaticano, querem que sejam proibidas todas as práticas de clonagem humana, seja com fins reprodutivos ou terapêuticos.

Alguns países que declararam ilegal a clonagem reprodutiva deixaram a porta aberta para a clonagem com fins terapêuticos, pois ela permitiria o tratamento de várias enfermidades até agora incuráveis.

Washington e o Vaticano são os principais defensores desta proibição, porque consideram o embrião como um ser humano. Em pesquisas com embriões, eles podem ser destruídos, como ocorre na retirada de células-tronco.

Ao contrário de outras questões referentes à reprodução humana, como aborto ou controle da natalidade, os dois Estados estão sozinhos em sua oposição.

Para os países islâmicos, por exemplo, o início da vida de um ser humano começa 40 dias depois da concepção --os embriões com fins terapêuticos, fabricados para usar algumas de suas células, são "eliminados" antes desse período.

Trinta países, de Austrália ao Japão, passando pela maioria dos países europeus e a África do Sul, adotaram a legislação que proíbe a aplicação da clonagem reprodutiva. Neste mês, o presidente francês Jacques Chirac pediu à ONU proibir "o mais rápido possível" a clonagem reprodutiva.

O Conselho da Europa adotou um protocolo que proíbe "qualquer intervenção que tenha por fim criar um ser humano geneticamente idêntico a outro ser humano vivo ou morto". Firmado por 29 Estados e ratificado por mais oito, o protocolo entrou em vigor em março de 2001.

Mas, devido à ausência de uma convenção internacional obrigatória, esses países temem ver o aparecimento de "paraísos" onde a prática se desenvolveria.

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