Ciência
08/01/2003 - 08h34

Amaral nega apoio à bomba atômica

CLAUDIO ANGELO
Enviado especial da Folha de S.Paulo a Brasília
da Folha de S.Paulo no Rio

O ministro da Ciência e Tecnologia negou ontem que tenha dito que o Brasil deve desenvolver tecnologia para fazer bombas atômicas. A declaração, que teria sido dada em entrevista à rede britânica BBC, quase causou um incidente diplomático ao ser reproduzida pela imprensa brasileira.

"Esse assunto está encerrado", disse Amaral ontem. "Foi um mal-entendido, má-fé. Nunca falei em bomba atômica."

O ministro defendeu, na entrevista, que o país desenvolvesse tecnologia nuclear, principalmente para a medicina e para a geração de energia. Esclareceu que, como signatário de tratados de não-proliferação de armas nucleares, o país não pode construir armas atômicas.

"A ciência é a mesma. O que difere é a aplicação. A nossa prioridade são radioisótopos, por exemplo, são 2 milhões de brasileiros que se beneficiam com isso, é a área de pesquisa de alimentos, produtividade. Essas são as prioridades do Brasil."

"Quando você está desenvolvendo um computador, quer fazer computador de maior capacidade. Para fazer o quê? Se ele vai ser usado na indústria química, nuclear ou submarina é outra coisa. Mas nós devemos ter capacidade de construir o nosso supercomputador. A questão é só e simplesmente essa."

Opinião convergente
O pensamento foi ecoado pelo físico nuclear e futuro presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa. Ele disse ontem no Rio que o Brasil não deve desenvolver tecnologia para a bomba atômica. Mas defendeu, como o ministro, que o país detenha a tecnologia nuclear para outros fins, como, por exemplo, a geração de energia elétrica.

Para Pinguelli Rosa, o ministro foi mal interpretado em suas declarações sobre o Brasil vir a desenvolver a bomba atômica.

"A Constituição proíbe a bomba nuclear, e o governo Fernando Henrique Cardoso cumpriu isso à risca. O fato é que o Brasil não vai fazer jamais a bomba atômica."

Pinguelli Rosa lembrou ainda que os tratados de não-proliferação de armas impedem o Brasil de desenvolver a tecnologia para a bomba. Além disso, segundo ele, o país realiza o enriquecimento de urânio de baixo teor, que é impróprio para a fabricação de armas.
 

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