Nasa assiste à morte de estrela gigante; veja animação
da Folha OnlineCientistas da Nasa, a agência espacial norte-americana, presenciaram a explosão de uma estrela gigante --um dos eventos que mais geram raios-gama no universo-- e o nascimento, no lugar do antigo astro, de um novo corpo celeste: um buraco negro.
A descrição da observação, publicada na edição de ontem da revista Nature, é a mais detalhada de que se tem notícia. Ela confirma que grandes emissões de raios-gama anunciam a morte de estrelas gigantescas, uma teoria chamada "modelo colapsar".
O registro do fenômeno ocorreu na madrugada do dia 4 de outubro de 2002. A emissão foi primeiramente identificada pelo satélite Hete (High Energy Transient Explorer), que custou US$ 15 milhões à Nasa e investiga nos céus emissões de raios-gama.
Em seguida, o astrofísico norte-americano Derek Fox alertou cerca de 40 observatórios para que, num esforço conjunto, voltassem seus telescópios para um conjunto de coordenadas a 10 bilhões de anos-luz da Terra. Um deles, instalado em Tóquio, conseguiu captar imagens apenas 193 segundos depois que a explosão havia sido detectada.
Show de raios-gama
A explosão durou longos minutos em frente aos olhos dos cientistas. A imagem revelava uma estrela densa, pertencente a uma classe de estrelas chamada "Wolf-Rayet" --que têm superfície extremamente quente e costumam ser maiores e mais brilhantes que o Sol. Durante o processo, um verdadeiro show de raios-gama foi exibido ao espaço.
"Se a estrela estivesse do outro lado da galáxia, ela seria tão brilhante como o sol", disse George Ricker, cientista responsável pelo satélite, ao comentar a grandeza do fenômeno. "Se ela estivesse a poucas centenas de anos-luz, ela teria assado a Terra."
O "modelo colapsar" foi proposto em 1993 pelo físico Stan Woosley, da Universidade da Califórnia. Segundo ele, as explosões de raios-gama são causadas pela morte de estrelas que não têm mais hidrogênio para queimar. Outros modelos teóricos tentam explicar o fenômeno como a fusão entre estrelas de nêutrons e buracos negros.
Animação
No site da Nasa, o internauta pode assistir a uma representação da liberação de energia durante a explosão. Para tanto, é preciso ter instalado no computador o plug-in QuickTime.

