Brasil é líder mundial de reciclagem de latas de alumínio
da Folha OnlineO Brasil é o atual campeão mundial de reciclagem de latas de alumínio nos países em que essa atividade não é obrigatória por lei, com o índice de 85%, segundo a Abal (Associação Brasileira do Alumínio). O número corresponde à reciclagem de 119,5 mil toneladas de latas de alumínio, algo em torno de 9 bilhões de unidades.
| Patrícia Santos/Folha Imagem - 25.8.02 |
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| Funcionário de centro de reciclagem em São Paulo arruma latinhas de alumínio prensadas |
Referente ao ano de 2001, o índice brasileiro superou o japonês, que, segundo a Japan Aluminum Can Recycling Association, ficou em 82,8% no ano. O Japão, que liderou o ranking de 1995 a 2000, vem crescendo historicamente 1% ao ano. O Brasil, que em 1998 superou pela primeira vez os EUA (65% contra 63%), vem apresentando crescimento médio de 7,3%, registrando índices de 73% (1999), 78% (2000) e 85% (2001), segundo a entidade.
Segundo a Abal, a taxa brasileira se deve, entre outros fatores, ao intenso trabalho de marketing e de divulgação que vem sendo feito pela indústria brasileira de alumínio na última década, ao aumento da rede de coleta de latas em todo o país, à proliferação do número de cooperativas de catadores e ao valor residual das latas de alumínio como sucata.
Taxa do lixo
Em São Paulo, a taxa do lixo tem impulsionado iniciativas em direção à reciclagem. Foram os R$ 12 de taxa que fizeram a assistente financeira Rute Fernandes da Silva, por exemplo, procurar uma cooperativa de catadores de material reciclável.
Silva e os vizinhos querem implantar a coleta seletiva no condomínio onde moram, na Mooca (zona leste). São 30 novas famílias empurradas à reciclagem. Para isso, procurou a Coopamare (Cooperativa de Catadores de Papel, Aparas e Materiais Reaproveitáveis), em Perdizes (zona oeste), pedindo informações.
"Com a cobrança, a prefeitura cavou um espaço para aumentar a reciclagem. É assim mesmo. A conscientização só vem quando mexem no bolso", admite Silva.
A taxa do lixo é cobrada de acordo com o que a prefeitura supõe ser a média mensal da produção de resíduos de cada imóvel, excluindo o que foi encaminhado à reciclagem. Ela varia de R$ 6,14 a R$ 61,36 por mês, mas o contribuinte pode discordar da estimativa do governo e pagar o valor que achar mais correto.
O caso da assistente financeira não é isolado. Cada uma à sua maneira, as cooperativas da capital têm termômetros que indicam o aquecimento desse mercado.
"Desde que as discussões da taxa começaram, o número de ligações cresceu. Hoje recebemos uns 50 telefonemas por dia. Antes, eram uns dez. Os interessados querem doar material e pagar menos", conta Naza Tomas, auxiliar de coordenação da Coorpel (Cooperação na Reciclagem de Papel).
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