Ciência
13/08/2003 - 18h47

Cientistas decifram genoma dos produtores marinhos de biomassa

da Folha Online

Diferentes equipes de pesquisadores decifraram a sequência genética das bactérias mais comuns nos mares: três espécies de Prochlorococcus e uma da Synechococcus, responsáveis por quase metade da produção de matéria orgânica, por fotossíntese, nos oceanos.

O carbono é a base da vida na Terra e a fotossíntese é a reação que permite aos vegetais transformarem dióxido de carbono e sais minerais em biomassa. Essas bactérias retiram cerca de 10 bilhões de toneladas de carbono do ar anualmente.

"A Terra é 'o planeta azul', pois os oceanos cobrem quase 75% de sua superfície. A vida na Terra depende tanto da fotossíntese que ocorre nos oceanos como da fotossíntese terrestre", comenta Donald Bryant na revista "PNAS" (www.pnas.org), da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, que publica um dos estudos.

Pequenos e

A Prochlorococcus foi analisada pela equipe de Alexis Dufresnes, do Centro de Estudos de Oceanografia e Biologia Marinha em Roscoff, noroeste da França, de Gabrielle Rocap, da Universidade de Washington em Seattle, EUA, e de Sallie Chisholm, do MIT (Massachusetts Institute of Technology). Os resultados foram publicados na "PNAS" e na revista britânica "Nature" (www.nature.com).

A análise de sua sequência permitiu determinar as estratégias de sobrevivência utilizadas pelas bactérias: genes copiados, outros esquecidos e alguns reduzidos à sua mínima expressão. "Os genomas são muito compactos e permitem à Prochlorococcus colonizar áreas muito pobres (em luz ou em sais minerais) dos oceanos", explica Frédéric Partensky, do centro francês.

"Ele [o estudo] nos permite entender exatamente como, com aproximadamente 2.000 genes, essa pequena células converte energia solar em biomassa", afirma Chisholm. Ela estudou a Prochlorococcus marinus, a célula fotossintética mais abundante da Terra: um mililitro de água marinha pode conter mais de 1 milhão de indivíduos, especialmente em mares tropicais e temperados.

Adaptabilidade

O pesquisador Brian Palenik e seus colegas do Instituto Scripps de Oceanografia, em San Diego, EUA, se ocuparam com a Synechococcus, que possui cerca de 2.500 genes. Segundo eles, a bactéria tem um sistema de mobilidade inédito, graças à presença da maior proteína bacteriana já encontrada, com 10.900 aminoácidos.

Ela também é capaz de obter ferro, mineral raro em seu meio, graças ao emprego de níquel e cobalto, além de utilizar matérias orgânicas como fonte de sais minerais.

As duas bactérias têm um ponto em comum: reduzir a importância de suas sensações. Em um meio quimicamente estável como o oceano (sobretudo em relação à água doce), não é tão vital determinar se as condições exteriores variam. Por isso, os genes destinados normalmente à percepção do ambiente desapareceram ou se reduziram à sua mínima expressão.

Com agências internacionais
 

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