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Projeto
Editorial 1981
"A Folha e alguns passos que
é preciso dar"
Junho,
1981
Um tipo de jornal
O objetivo
de um jornal como a Folha é, antes de mais nada, oferecer
três coisas ao seu público leitor: informação correta, interpretação
competente sobre essa informação e pluralidade de opiniões sobre
os fatos.
Por informação correta entende-se a descrição de tudo aquilo capaz
de afetar a vida e os interesses que se acredita serem os dos leitores.
Essa descrição é realizada na forma mais sintética, despojada e
distanciada possível (embora seja quase sempre impossível atingir
a neutralidade absoluta. Ao contrário, isso é raramente factível.
Existem, na realidade, descrições mais neutras, ou seja, mais objetivas
que outras; de onde se deduz que a neutralidade é uma quimera, mas
aproximar-se de neutralidade não é).
Por interpretações competentes a respeito dos fatos entendem-se
os comentários e análises redigidos por profissionais que, conforme
os critérios adotados pelo jornal, aliam o domínio sobre uma determinada
área do conhecimento ou da atividade humana ao domínio sobre a técnica
de escrever, combinando em seus textos ambas as habilidades.
Por pluralidade de opiniões sobre os fatos entende-se a publicação
de textos, artigos, depoimentos, entrevistas etc. que, tomadas em
seu conjunto, funcionem como uma reprodução mais ou menos fiel da
forma pela qual as opiniões existem e se distribuem no interior
da sociedade.
É evidente que, uma vez fixado o objetivo assim definido, não há
um meio automático que permita saber se os critérios utilizados
em cada caso estão atendendo às finalidades propostas ou não; só
parece possível ter alguma certeza sobre essa questão por meio de
processos demorados de discussão interna, combinados à observação
atenta das reações dos leitores, que podem punir ou premiar o jornal.
Mas para o tipo de jornal que a Folha parece decidida a ser
não basta o atendimento daquelas três finalidades mencionadas no
primeiro parágrafo.
Em outras palavras: não é suficiente oferecer ao leitor uma amostra
representativa da pluralidade real das opiniões que existem.
Se o jornal se satisfizer com isso, nunca passará de um mero repositório,
sem forma nem vontade, das opiniões que a sociedade vai produzindo
(o que, no caso do Brasil, já significaria a prestação de um grande
serviço).
É necessário que o jornal, sem discriminar opiniões diversas das
que adota (e, ao contrário, estimulando polêmicas com elas), tenha
as suas próprias convicções sobre os fatos e os problemas. Elas
é que transformam o jornal em um ser ativo, com uma identidade visível
e um certo papel a desempenhar.
São, também, as opiniões oficialmente expostas pelo jornal que possibilitam
o desenrolar de um importante diálogo silencioso entre o leitor
e o seu jornal, diálogo que, com o passar do tempo, cimenta os laços
de respeito e de estima entre o jornal e sei leitorado.
Leia mais
Um tipo de jornal
Um ponto de passado e de futuro
Os passos necessários
Saiba o que diziam os
projetos editoriais anteriores
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1981
- "A
Folha e alguns passos que é preciso dar"
Um
tipo de jornal
Um
ponto de passado e de futuro
Os
passos necessários
1997
- Caos
da informação exige jornalismo mais seletivo, qualificado e didático
1988
- A
hora das reformas
1986
- A Folha em busca da excelência
1985
- Novos
rumos
1984
- "A
Folha depois da campanha diretas-já"
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