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Projeto
Editorial 1984
"A
Folha depois da campanha diretas-já"
Credibilidade exige responsabilidade
A campanha
diretas-já faz parte da história brasileira. Faz parte, também,
da história da Folha, que aderiu à campanha em novembro do
ano passado e foi o primeiro grande meio de comunicação a fazê-lo.
De novembro até a votação da emenda Dante de Oliveira, em abril,
o jornal experimentou uma mobilização interna sem precedentes. Externamente,
disseminou e consolidou o prestigio público acumulado nos anos anteriores.
Impôs-se, ao país inteiro, como uma das principais forças formadoras
de opinião pública. Conquistou um importante crédito de confiança
junto à sociedade civil. Antes da campanha, era difícil ignorar
a Folha; depois dela, tornou-se impraticável.
Esse desenvolvimento aumenta nossas responsabilidade. Depende do
nosso trabalho levar a Folha até a sua maturidade jornalística
ou fazê-la regredir, desperdiçando uma oportunidade talvez única.
Temos em nosso favor a ausência de preconceito, uma posição política
aberta e que encontra ampla ressonância na opinião pública, uma
disposição para crescer e mudar e ainda a relativa estagnação em
que se acha a maioria dos demais grandes jornais.
Sobretudo, temos atrás de nós uma empresa economicamente sólida,
financeiramente saudável e que vem adotando uma atitude crescentemente
agressiva no setor publicitário e comercial. É a situação privilegiada
da empresa que tem assegurado a autonomia política e a contundência
editorial da Folha.
Temos contra nós graves problemas de estrutura jornalística. A empresa
tem feito investimentos nessa área, e o exemplo mais notável nesse
sentido é a criação da reportagem especial. Não somente na reportagem
especial, mas na Folha como um todo trabalha hoje um número
expressivo de jornalistas talentosos, capazes e dedicados.
Não obstante, enfrentamos dificuldades sérias. Nossos serviços noticiosos
são ainda precários, a qualidade das nossas edições é muito flutuante,
há altos e baixos no interior de cada edição.
A fase de instalação do sistema de vídeo está praticamente encerrada,
e com sucesso. Mas o fluxo interno, desde as fontes de produção
até a impressão, é cheio de percalços e irregularidades. Não conseguimos
cumprir o cronograma imposto pelas exigências industriais e da circulação.
Nossos mecanismos de controle sobre o padrão técnico do material
editado são falhos: é raro que uma edição da Folha não apresente
erros grosseiros de informação e de edição.
Assoberbados pelo acúmulo de trabalho, que às vezes conduz quase
à exaustão física e psicológica, os jornalistas que ocupam cargos
de chefia estão excessivamente absorvidos pela rotina e pelos problemas
do dia-a-dia, sem tempo - e frequentemente sem ânimo - para atacar
os problemas de estrutura, que são a verdadeira causa dos problemas
diários.
Nossos critérios ainda são muito heterogêneos e, além disso, é comum
faltar orientação editorial para repórteres ou redatores, que se
ressentem da falta de instruções precisas e uniformes. Finalmente
- e apesar das constantes substituições de pessoal, responsáveis
em parte por uma certa turbulência que intranquiliza a Redação -,
ainda há um número considerável de jornalistas cuja qualificação
profissional não está à altura das exigências colocadas pelo Projeto
da Folha. Não há tempo nem condições materiais para adestrá-los
e prepará-los adequadamente; terão que ser substituídos. A empresa
terá que investir para viabilizar essas substituições e para remunerar
melhor a maioria que permanecerá.
Leia mais
Credibilidade exige responsabilidade
A busca do jornalismo moderno e apartidário
Precisamos atacar os problemas
Saiba
o que diziam os projetos editoriais anteriores
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1984
- "A
Folha depois da campanha diretas-já"
Credibilidade
exige responsabilidade
A
busca do jornalismo moderno e apartidário
Precisamos
atacar os problemas
1997
- Caos
da informação exige jornalismo mais seletivo, qualificado e didático
1988
- A
hora das reformas
1986
- A Folha em busca da excelência
1985
- Novos
rumos
1981
- "A
Folha e alguns passos que é preciso dar"
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