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20/07/2004
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09h34
Colunista: Você quer um novo emprego?
LAERTE LEITE CORDEIRO Especial para a Folha Online
Se você foi demitido de seu último emprego, pediu demissão, cansou de ser empresário e fechou seu negócio ou não foi bem-sucedido como consultor ou prestador de serviços, junte-se a muitos de nós e faça parte da legião de profissionais no mercado buscando um novo emprego.
Todos sabemos que os profissionais desempregados ainda têm, a seu desfavor, um número considerável de pessoas que estão mal-satisfeitas nos seus empregos atuais --por muitas razões-- e que também estão no mercado à procura de uma melhor alternativa profissional que lhes dê mais satisfação e realização.
Isto aumenta sensivelmente o volume da oferta de talentos no mercado, a competição se acentua e caem, para quem já está disponível, as chances de encontrar o emprego tão desejado.
Mercado
A verdade é que nos últimos anos o mercado de trabalho para executivos e profissionais reduziu drasticamente a oferta de oportunidades, em função de crises nacionais e internacionais --econômicas ou políticas-- e por força do desenvolvimento da tecnologia, da reengenharia e da globalização.
Certamente as empresas racionalizaram e reduziram suas estruturas de organização e seus quadros, diminuindo o número de posições disponíveis para emprego, demitindo e não admitindo.
Se acoplarmos a esta situação os fatos de mercado que nos mostram que as mulheres entraram para valer na disputa, que os jovens aí estão aos milhões procurando a sua chance e que os profissionais de mais idade continuam em suas cadeiras, então veremos porque há tanto sofrimento.
No começo dos anos 90, quando o mercado de trabalho começou a encolher, sugeria-se ao executivo que perdia seu emprego que, se não encontrasse vagas, que procurasse montar uma consultoria, assessoria ou atuasse como autônomo, prestando serviços. A outra sugestão era de que tornasse realidade o sonho do negócio próprio, quem sabe em áreas bem diferentes dos empregos até então ocupados.
Números de pesquisas recentes nos mostram que, desde 2000, a cada primeiro semestre, a oferta de empregos para executivos veio caindo dramaticamente, chegando nos seis meses iniciais de 2003 a apresentar números cerca de 60% menores do que os de igual período do ano 2000.
Felizmente, as cifras levantadas para o primeiro semestre de 2004 mostram um salto significativo e um crescimento sobre o mesmo período de 2003. Junho, inclusive, apareceu como o mês de maior oferta de empregos do primeiro semestre de 2004, quem sabe indicando que o segundo semestre do ano será melhor.
Independentemente da quantidade de vagas em 2004, elas serão poucas para corrigir a difícil situação de uma larga parcela da população qualificada em nosso país. Alguns anos de desenvolvimento contínuo passarão antes que a legião de profissionais disponíveis possa ser significativamente reduzida para níveis normais de emprego.
Lute!
Assim, para você que quer um emprego agora e está vivendo na carne aquilo que aqui tentamos colocar no papel, recomendo fortemente que esqueça a crise permanente que assola o país e capacite-se para lutar e competir pelos seus objetivos pessoais e profissionais, pela sua carreira e pelo melhor emprego que puder arranjar.
Atualmente não adianta mais fazer um currículo doméstico e amador, falar com meia dúzia de parentes ou amigos chegados, pesquisar alguns anúncios de jornal e improvisar nas entrevistas. Isso podia ser suficiente no passado, mas hoje não basta mais para conseguirmos o emprego que queremos.
Agora é preciso desenvolver um processo planejado, organizado e mercadologicamente bem concebido para a busca do novo emprego. É necessário que o candidato se conheça bem como pessoa e profissional, que defina o seu objetivo atual de carreira atentando para a realidade do mercado e para sua empregabilidade, que desenvolva um currículo persuasivo e promocional e que se prepare para enfrentar os processos de seleção e, particularmente, as entrevistas. Depois de ter tudo isso assegurado, lance uma campanha de divulgação de sua "candidatura" no mercado, utilizando simultaneamente todos os meios disponíveis.
Essa é a fase mais complicada e dolorosa --a da competição propriamente dita. É o contínuo "networking" (implementação da rede de contatos), é a resposta semanal aos anúncios de jornais, é o percorrer de portais de empregos na internet, é o cadastramento nos sites dos "headhunters" (caça-talentos) e das empresas, é a mala direta dirigida, é a luta constante para se deixar ver e conseguir entrevistas. Não se deixe esmorecer ou cansar. Não há outros caminhos.
E não se iluda. Embora as coisas possam melhorar, o mercado ainda não será risonho e franco para quem busca um novo emprego nos próximos tempos. Por isso, pare de falar em crise, em desemprego e em tragédia e batalhe com força, inteligência e criatividade, buscando superar as barreiras e obstáculos do mercado. Busque todos os apoios que puder conseguir e não desanime ou se deixe abater. Lute!
Laerte Leite Cordeiro é consultor em "outplacement" e "coaching" e presidente da Laerte Cordeiro Consultores em Recursos Humanos
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