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11/04/2005
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19h27
Empresas oferecem "benefício da dúvida"
da Folha de S.Paulo
Sandra Libório, 35, coordenadora de marca da DuPont, é solteira e não tem filhos. Faz acupuntura e vai ao mesmo dentista há dez anos. Ricardo Kazuo, 29, consultor da SAP (tecnologia), entrou na companhia solteiro e casou-se recentemente. Apesar dos perfis e histórias de vida diferentes, eles têm algo em comum: trabalham em firmas que implantaram o sistema de benefícios flexíveis.
Com o objetivo de aumentar a satisfação do funcionário em relação aos seus benefícios, dá-se a ele a escolha dos itens que quer e do valor a gastar em cada um deles.
"Antes, o trabalhador era visto como um homem de 40 anos, casado, com filhos e provedor da família. Agora há mais jovens e mulheres", analisa Cláudia Briganti, gerente de benefícios da DuPont.
Na prática, o esquema funciona como a dieta dos pontos: o funcionário tem um crédito, de acordo com cargo e número de dependentes, e gasta-o com as opções de um menu. Há variações de planos de saúde, seguros, vale-refeição e vaga na garagem da firma, entre outras.
"O sistema aumenta a percepção do valor do pacote. A empresa gasta tanto quanto antes, mas não com o que não é importante para o funcionário", avalia Thais Blanco, da Hewitt Associates Brasil.
Ricardo Kazuo, da SAP, reduziu os planos odontológico e médico e compensou aumentando o vale-alimentação. Agora que está casado, pensa em planos de saúde com maior cobertura, para quando tiver filhos. Já Sandra Libório, da DuPont, deu ênfase a um plano médico que cobrisse seus interesses. "Adicionei medicina preventiva, já que faço acupuntura e massagens, e um plano odontológico com reembolso", conta.
Nem tão flexível
Se a lógica do conceito é simples, a aplicação não é tão fácil. "Nossa maior dificuldade foi a automação", diz Cláudia Briganti, da DuPont. O sistema que administra os benefícios levou dois anos para ser implantado.
Já a Hewlett Packard fez um ano de ensaio antes de aderir ao sistema. "Realizamos testes com um grupo de 30 pessoas, depois um piloto com todos os 1.400 empregados", relata o diretor de recursos humanos da HP, Jair Pianucci.
Uma pesquisa da consultoria Towers Perrin, que envolveu 234 empresas em todo o país, apontou que, em 2004, somente 2% delas já tinham o sistema implantado. "O numero é baixo, mas as empresas estão conversando sobre isso", diz Lais Perazo, da área de saúde da Towers Perrin. Para César Lopes, consultor da Mercer, "é uma situação ainda incipiente, mas que tende a aumentar".
"A projeção é que, em cinco anos, os benefícios flexíveis virem uma prática de mercado", completa Thais Blanco, da Hewitt.
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