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08/05/2005 - 09h00

Chefes jovens têm de driblar resistência

RAQUEL BOCATO
da Folha de S.Paulo

Chegar ao topo antes dos 30 anos é o sonho de muitos jovens profissionais. A carreira meteórica tem suas vantagens, como salário e status. Mas esconde algumas armadilhas --e desarmá-las requer maturidade e maleabilidade.

A trajetória da administradora Juliana Carvalho, 26, estava traçada antes de se formar. O destino era a diretoria da empresa dos pais, e a missão, coordenar uma equipe administrativa de 17 pessoas, cerca de 70 colaboradores da fábrica de perfumes Fator 5 e 150 distribuidores dos produtos.

A "pouca idade" não foi um problema. "Consegui aumentar o número de distribuidores para 220 e reduzir a inadimplência de 5% para 1% ao ano", comemora.

Mas lembra que teve percalços. Alguns engraçados, como quando os pais dela recebiam telefonemas de clientes, perguntando quem era aquela menina que os tratava com tanto rigor. Outros, nem tanto. "Tive de demitir uma senhora de 50 anos porque ela resistia a meus pedidos. Insinuou que não seguiria as ordens de uma pessoa mais jovem."

"Que existe preconceito contra um chefe mais novo que a equipe, existe", avalia a professora de psicologia organizacional da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) Carmem Lúcia Rittner, 60. Mas ressalta que a idade não é um fator a ser considerado na seleção de um candidato para um posto mais alto. "Após o primeiro contato, os colegas passam a valorizar mais algumas posturas, como justiça e honestidade, do que prestar atenção à diferença de idade."

"A condução da equipe independe de quantos anos a pessoa tem", afirma Sofia Esteves do Amaral, 43, sócia da DM Recursos Humanos. A consultora tem conhecimento de causa. Há dez anos, ao contratar uma funcionária de 45 anos, teve de ouvir um "não obedecerei a uma criança".

O relacionamento das duas não morreu naquele momento. Amaral diz que conquistou a confiança da profissional ao dividir decisões e ao mostrar liderança.

Trabalho conjunto

Ter a admiração da equipe e o título de chefe exige algumas atitudes básicas. Ao assumir, o profissional precisa conhecer seus subordinados, um a um, e delinear com eles os planos de ação.

Após um ano como assistente de atendimento da Unimed, a administradora Cláudia Leite dos Reis, então com 22 anos, foi promovida a coordenadora. Sob seu comando estavam funcionários que beiravam os 50 anos.

Hoje, com 27 anos, diz que superou a resistência da equipe com relação à idade. O segredo, segundo ela, é o trabalho em conjunto. "Mantenho diálogo constante com todos os colaboradores."

Diversidade

Jovens, adultos e idosos começam a fazer parte do novo conceito de gestão das empresas.

"As companhias devem investir em uma política que alia a experiência dos mais velhos à ousadia dos mais novos", sugere o professor do departamento de psicologia social e do trabalho da UNB (Universidade de Brasília) Odair Furtado. A recomendação, nesse caso, é tirar proveito da situação e aprender uns com os outros, independentemente da idade ou do cargo dos profissionais.

     

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