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08/05/2005 - 09h36

Especialistas em TI rendem-se à certificação

da Folha de S.Paulo

Horas debruçadas sobre apostilas, aulas diárias, tensão e nervosismo durante as provas. Tudo isso pela expectativa de uma boa trajetória profissional. Errou quem acaba de imaginar estudantes em ano de vestibular: a cena descrita é cada vez mais comum entre profissionais já diplomados -os que trabalham na área de TI (tecnologia da informação).

Em busca de ascensão na carreira ou simplesmente por pressão da empresa, especialistas em TI investem somas que ultrapassam R$ 10 mil em treinamentos para obter as disputadas certificações de empresas como Cisco e Oracle.

Só na Microsoft, a procura pela especialização cresceu 30% em 2004. O Brasil já é o primeiro da América Latina e o 13º no ranking mundial de número de profissionais com o título da empresa.

A razão é clara. "Segundo pesquisa encomendada ao Ibope, esses especialistas ganham, em média, 58% mais do que os sem certificação", compara a gerente da Microsoft Elis Quieroz.

O diretor Fernando Silva, da concorrente Oracle, faz coro: "O investimento se paga com o salário em até quatro meses".

Apostando nisso, o consultor de informática Denis Ievenes, 24, gastou cerca de R$ 7.500 para obter certificados da Oracle e da Sun. "Nos últimos cinco anos, não houve um em que não tivesse reajuste salarial", comemora.

Já o gerente de informática da Distritos Itaúnas, André Luiz Mattos Oliveira, 35, teve de fazer "contorcionismo" na agenda para conseguir obter a especialização da Microsoft: trabalhava de dia, tinha faculdade à noite e viajava 300 km de São Mateus (ES) a Vitória para ter aulas aos sábados e aos domingos. "Difícil mesmo foi manter a mulher", brinca.

O investimento de mais de R$ 11 mil, conta, trouxe resultados positivos --além do nível gerencial, foi convidado a lecionar na faculdade assim que se graduou.

Obstáculos

Para ser um profissional certificado, no entanto, o caminho é longo. Primeiramente, é preciso ter bons conhecimentos na área e ser fluente na língua inglesa. "É como o exame da OAB, só que direcionado a profissionais de informática", destaca o diretor da Brás e Figueiredo, Eurico Brás.

Os custos também podem ser proibitivos: cada treinamento semanal não sai por menos de R$ 1.000 -e a tendência é a empresa deixar essa despesa para o funcionário. "Hoje são as pessoas que investem mais", diz Edmilson da Gama, da Ka Solution. "Sobretudo para certificação básica, vemos muito investimento próprio", acrescenta Kelly Lara, da Cisco.

Uma vez com o título em mãos, muito há a percorrer. "A certificação em si não garante uma carreira", avisa o diretor da NTI, Victor Ferraz. "O mais importante é o conhecimento do assunto", completa o analista de tecnologias da Boehringer Ingelheim Marcelo Figueiredo, 36.

     

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