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15/05/2005
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10h14
Empresa traz serviços para dentro de "casa"
da Folha de S.Paulo
Para quem costuma recorrer a velhas desculpas como "vou dar uma passada na oficina" ou "preciso ir ao dentista" na tentativa de "fugir" do trabalho, a notícia não é animadora: muitas empresas já começam a perceber que é mais vantajoso oferecer serviços como esses dentro de suas instalações.
Em busca de benefícios como diminuição das faltas e aumento da produtividade, as companhias investem cada vez mais na infra-estrutura e trazem para o escritório opções que vão de academia a lavanderia, sem contar locadora de DVDs, mini-hospital, creche e até salão de beleza.
"Essa é uma forte tendência nos Estados Unidos que já aparece no Brasil", afirma o professor da Fundação Getulio Vargas de SP José Tolovi Jr.
Dentro dessa perspectiva, a Computer Associates inovou ao montar em seu prédio uma oficina com motorista e mecânico, na qual o funcionário pode deixar o carro para conserto enquanto trabalha. "Dos 260 colaboradores, 180 têm carro da empresa. Percebemos que perdiam até cinco horas num só dia para ir reparar o automóvel", justifica o presidente da CA, Marco Leone Fernandes.
Já quem trabalha na sede do Pão de Açúcar tem opções como academia, quadras de squash e até um minimercado. Segundo o gerente Carlos Henrique Cezar, os serviços são oferecidos a um preço abaixo do de mercado: "Um corte masculino custa R$ 10, e a academia, de R$ 10 a R$ 50".
Situada em Cajamar (42 km a noroeste de São Paulo), a Natura construiu um pavilhão só para os serviços, que incluem lojas, óptica, correio, costureira, sapateiro, berçário e clínica médica completa. "Trazemos o maior número de serviços para não prejudicar o dia de trabalho, pois estamos longe da cidade", explica a gerente de RH, Rosângela Brandão.
Grávida de cinco meses, a analista de finanças Neide Coelho, 33, diz aproveitar as facilidades: "Faço o pré-natal na empresa, já que passo boa parte do tempo aqui".
Mesmo quando a firma não tem porte para manter a superestrutura, há a possibilidade de alugar espaços próximos ao escritório. "As menores reservam nossa sala de convivência, em que os executivos podem ler, descansar ou ver TV", diz Paulo Kretly, diretor da Franklin Covey.
Cultura
Não basta oferecer, tem de estimular. Essa é a máxima dos especialistas em RH, que reforçam a necessidade do incentivo ao uso das facilidades. "No Brasil, esses serviços só estão disponíveis fora do expediente, ou seja, já há uma desconfiança implícita. Isso é um problema de gerência", ressalta Tolovi Jr., que dá como exemplo uma petroquímica na Bahia. "O sistema gerencial é tão rígido que nenhum profissional usa as instalações."
Renani Gomes, gerente de benefícios da Avon, diz que se trata de um processo de conscientização difícil. "É importante conversar com os gerentes para que entendam que é melhor perder o funcionário com dor nas costas por 15 minutos para fazer massagem do que mantê-lo improdutivo o dia todo", exemplifica.
Para quem ainda prefere "dar umas escapadas" da empresa, nem tudo está perdido. "De vez em quando, a gente até releva quando o funcionário mata a avó pela segunda vez", ironiza Marco Leone Fernandes, da CA.
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