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23/05/2005
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19h03
Alto escalão encara desemprego com alívio
da Folha de S.Paulo
Perder um emprego com salário anual superior a R$ 100 mil (gerência) ou acima de R$ 230 mil (diretoria), além de benefícios exclusivos, que vão de viagens ao exterior a ações da empresa. E ainda assim sentir-se aliviado.
Se, para muitos, isso parece um absurdo, no caso dos altos executivos, essa situação é recorrente. Busca por resultados, competitividade e demanda de redução de gastos são alguns exemplos da pressão cada vez maior que o profissional sofre para encabeçar a cúpula de uma companhia.
Não é à toa que 44% de 200 executivos de alto escalão demitidos em 2004 consideraram a saída da empresa um alívio. Em 2002, esse percentual era de apenas 24%.
Os números são da pesquisa "Práticas de Demissão de Executivos nas Maiores e Melhores Empresas do Brasil", feita pela consultoria Lens&Minarelli (leia quadro). Foram ouvidos presidentes, diretores e gerentes seniores demitidos no ano passado.
A pressão é tanta que muitos já prevêem o desligamento da firma. "Os profissionais estão permanentemente desconfiados da possibilidade de demissão", avalia a diretora-executiva da Lens&Minarelli, Mariá Giuliese. No ano passado, 47% dos entrevistados disseram que já esperavam pelo corte. Em 2002, apenas 23% cogitavam essa hipótese.
Para a pesquisadora Betania Tanure, da Fundação Dom Cabral, quando o executivo é pego de surpresa, a causa, em geral, é a falta de transparência na hora da avaliação. "Injusto é pensar que é bem avaliado quando não é."
Foi o que aconteceu com o engenheiro Paulo César Campos, 59, ao ser demitido do primeiro emprego. "Foi um choque. A decisão foi tomada com base em interesses pessoais", avalia.
Após uma nova demissão e um período em que abriu uma consultoria, voltou ao mercado como gerente. Outra vez, foi despedido. Ainda assim, não desiste: hoje é assessor da diretoria da TAM. "Quero continuar no mercado."
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