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29/05/2005
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10h09
Obeso diz sofrer preconceito do mercado
TATIANA DINIZ da Folha de S.Paulo
Olhe ao redor. Quantos obesos você vê trabalhando na sua empresa? A resposta mais provável é "poucos". A ausência poderia até ser um sinal saudável não fossem os números pesados sobre a obesidade entre adultos no país.
De acordo com dados da POF do IBGE (Pesquisa de Orçamentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 10,5 milhões de brasileiros com 20 anos ou mais são obesos --ou seja, 8,9% da população masculina e 13,1% das mulheres. Se considerada também a população que está acima do peso ideal, o número salta para 40,6% (quase 39 milhões de pessoas).
Ao confrontar esses dados com a situação nas empresas, chega-se a uma conclusão: não é fácil para o obeso conseguir emprego. Preocupadas com possíveis desdobramentos de problemas de saúde, as companhias evitam a contratação. Para os profissionais, a discriminação é evidente.
"Fui entrevistada em uma escola em que a dona fez cara de nojo e perguntou se eu me cansava facilmente", diz a professora de informática Telma Lemos Silva, 30. Em um teste para trabalhar num supermercado, ela diz ter perdido a vaga para uma candidata que usava calculadora. "Ela era menos qualificada, mas era magra."
Silva só conseguiu emprego ao ser convidada a dar aulas pelo professor de um curso em que teve bom desempenho. Hoje leciona num colégio em São Paulo.
Já a supervisora de atendimento (que pediu para não ser identificada) L.B., 34, participou de processos seletivos para a mesma empresa duas vezes. Na primeira, pesava 154 kg e não passou da entrevista inicial. Após reduzir o estômago e perder 70 kg, tentou novamente. "Não fiquei com a vaga, mas cheguei bem mais longe."
Atendente de suporte técnico, Lauro de Chaves, 27, acredita que o mercado não disfarça o preconceito. "No trabalho, gordo é tido como "mole", como incapaz de fazer as coisas corretamente. Quando comecei a emagrecer, muita coisa mudou", comenta ele, que pesou 145 kg e hoje tem 90 kg.
"[Procurar emprego] é estressante para o obeso, pois a empresa o encara como um risco", observa Alexandre de Azevedo, psiquiatra especialista em obesidade.
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