Folha Classificados
Empregos

ANÚNCIO COM FOTO

Digite o código do anúncio correspondente conforme modelo impresso no jornal
Código
 

Minha seleção

Anuncie

Imóveis

Empregos

Veículos

Negócios

Infoshop

Revista da Folha

Campinas

Vale

Ribeirão

Fale com a gente

Ajuda

Se preferir, ligue
(11) 3224-4000

09/06/2005 - 17h11

Estudantes compram tarefas pela internet

RAQUEL BOCATO
da Folha de S.Paulo

Trabalhar durante o dia, estudar à noite e reservar o fim de semana para a elaboração de tarefas escolares. Com a internet, essa equação, antes tradicional entre universitários, vem sendo mudada por alguns estudantes.

Para garantir notas altas e o período de descanso intacto, há quem contrate serviços de um "ghost-writer" (escritor-fantasma, em inglês), que faz a pesquisa, redige o texto e cobra por isso.

"Não teria tempo para fazer uma parte do meu trabalho de conclusão de curso", alega o administrador P.J.A., 26. Com a ajuda de um colega que, na época, estava desempregado, finalizou sua graduação a tempo. Hoje, cursando mestrado, diz que não cogita pagar pela dissertação. "Aquele foi um caso atípico."

Tomar para si a autoria da obra de outro é crime. "Por lei, não se podem ceder direitos de autoria", explica a presidente da Comissão Especial de Propriedade Imaterial da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo.

Os incautos estudantes podem ser enquadrados por falsidade ideológica. "O acusado pode ter de fazer trabalhos comunitários", ressalta a presidente da Associação dos Advogados Criminalistas de São Paulo, Vitória Nogueira.

O risco de ser pego em flagrante pelos professores não intimida o universitário J.R., 28, que utiliza o serviço de empresas especializadas até nos trabalhos em grupo.

Pelos colegas, conheceu os "benefícios" de um site de tarefas escolares. Com R$ 39,90 por ano, o aluno tem direito a consultar --e a copiar-- 150 textos ao mês entre os mais de 13 mil disponíveis.

Há pouco tempo, na porta da faculdade, recebeu um panfleto com propaganda sobre serviços de elaboração de monografias.

"Agora, pagamos a uma pessoa para que ela faça toda a pesquisa e elabore o texto", afirma. A qualidade do serviço é assegurada: "Ela é professora universitária".

Culpa do professor

Trinta e cinco reais. Esse foi o montante pago pela matemática G.A.V., 24, no ano passado. "O professor tinha boa vontade, mas era ruim mesmo, não tinha didática", explica a profissional.

Como muitos não haviam obtido boas notas, tiveram de entregar um trabalho com base em uma lista de exercícios. Os colegas de turmas mais veteranas socorreram. Todos foram aprovados.

Mas nem tudo é tão simples no mercado de monografias. Alguns educadores estão atentos a trabalhos comprados pela internet.

É o caso do professor da UnB (Universidade de Brasília) Carlos Pio, que, há três anos, desconfiou de um texto "muito bom e sem nenhuma referência bibliográfica". Apelou para a internet: digitou algumas palavras e chegou a páginas com o trabalho.

Além de reprovados, os alunos foram expulsos do curso de pós-graduação. Recorreram à Justiça e perderam em todas as instâncias. "Parei de dar trabalhos no curso. Agora, todas as avaliações são feitas por meio de provas", conta.

     

CURSOS ON-LINE

Aprenda Inglês

Aprenda Alemão


Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.