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31/10/2005
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12h34
Para especialista, postura é decisiva para destacar-se no trabalho
MIRELLA DOMENICH Colaboração para a Folha de S.Paulo
Em um de seus pronunciamentos após o início da atual crise política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva gerou repercussão não apenas pelo que falou. Sua expressão corporal --durante vários momentos, ele não olhou diretamente para as câmeras, mas sim em direção ao teto-- resultou até em comentários nas ruas. Prova de que o corpo fala, diriam os especialistas em expressão corporal, como o australiano Allan Pease, autor de "A Linguagem do Corpo" e co-autor de "Desvendando os Segredos da Linguagem Corporal" (editora Sextante, 271 páginas, R$ 24,90), lançado recentemente no Brasil.
Segundo Pease, 80% do impacto que causamos na comunicação com as pessoas não é verbal. "Por isso é muito importante saber como portar-se nas diversas situações da vida", enfatiza.
Em entrevista à Folha, por telefone, de seu escritório em Londres, Pease fala sobre como causar uma boa impressão em uma entrevista de emprego e dá dicas do que pode ser feito e o que deve ser evitado para sobressair-se.
Folha - O sr. afirma que o corpo diz mais do que a própria fala. Como, então, controlar o que ele fala? Allan Pease - Antes de qualquer entrevista de emprego, é importante que a pessoa treine seu comportamento em frente ao espelho ou com uma câmera de vídeo. A percepção do profissional sobre seus gestos pode indicar-lhe os próprios erros. Dessa forma, ele pode ser capaz de corrigi-los. É necessário treinar diversas vezes, até perceber que há confiança para não cometer erros básicos.
Folha - E quais são esses erros? Pease - Cruzar os braços, por exemplo, demonstra uma sensação de desconforto e mostra que a pessoa não está receptiva aos questionamentos do entrevistador. É um dos piores sinais do corpo. Para evitar cometer esse erro, o candidato deve procurar segurar uma caneta, por exemplo, ou, se não for possível, colocar as mãos sobre as pernas.
Folha - Em "Desvendando os Segredos da Linguagem Corporal", o senhor diz que um aperto de mão forte significa uma atitude de dominação. Se a vaga em questão é para um cargo de nível médio ou alto, é melhor apertar a mão do entrevistador com mais firmeza do que o normal? Pease - O aperto de mão deve ser na mesma intensidade a que sua mão foi pressionada. O candidato nunca deve tentar disputar liderança com o selecionador. No momento da entrevista, o líder é quem está entrevistando.
Folha - Como saber qual a reação ideal para cada momento? Pease - O entrevistado deve ter em mente que ele não está sendo avaliado por um gesto apenas, mas por um conjunto de posturas. Quando tanto entrevistado como entrevistador forem do mesmo sexo, os gestos podem ser copiados. Quando o entrevistador for homem e o entrevistado, mulher, ela deve evitar qualquer gesto de conotação sexual e tem que sorrir com moderação, principalmente quando o cargo em questão é de nível gerencial. O sorriso, apesar de causar empatia num primeiro momento, pode ser interpretado como submissão.
Quando as situações se invertem, um entrevistado homem deve respeitar a liderança da mulher entrevistadora e, também, nunca fazer brincadeiras ou gestos de conotação sexual, como sentar com as pernas abertas.
Folha - E quando o corpo não pode falar, em entrevistas por telefone, por exemplo, o que fazer? Pease - Nesses casos, a situação é mais difícil. Eu, por exemplo, estou aqui, malvestido e com a barba por fazer, mas você não saberia disso se eu não contasse [risos]. A pessoa tem de ter um bom timbre de voz para que passe confiança e demonstre, por meio das palavras, os motivos que a fazem querer trabalhar na empresa.
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