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06/08/2006 - 08h02

Firmas criam planos de carreira para área técnica

da Folha de S.Paulo

Há empresas que romperam a barreira entre a ascensão profissional e os cargos gerenciais. Nelas, é possível desenvolver uma carreira em Y, em que podem ser galgados degraus em área técnica ou administrativa.

"É uma estratégia de retenção de especialistas, que permite que um técnico possa ganhar mais que um diretor", descreve Willian Bull, consultor de recursos humanos da Mercer.

Bull explica que, em geral, trata-se de firmas cujos profissionais são difíceis de ser encontrados no mercado de trabalho. "Eles crescem na carreira e recebem salário maiores sem partir para o gerencial."

Foi essa a estratégia adotada pelo Grupo Telemar (telefonia) em outubro do ano passado. Consultores e equipe de RH mapearam áreas estratégicas para a empresa e desenvolveram um plano de carreira em Y.

Foram criados três níveis para o cargo de analista, além dos postos de especialista e de consultor --o ápice da carreira.

Hoje, segundo o gerente de planejamento de RH Marcos Aurélio Mendes, 1% dos 7.500 funcionários são consultores.

Mendes informa que não há uma cota pré-definida para os cargos. "O que vai definir a ascensão do profissional é a necessidade da organização."

"Muitas empresas não pensam em carreira em Y e "matam" os profissionais porque eles só podem crescer em status e em remuneração ao aceitar o cargo administrativo", assinala o professor de recursos humanos da FGV (Fundação Getulio Vargas) Sérgio Amad.

Áreas específicas

Apesar de já fazer parte das políticas de RH de algumas empresas, a carreira em Y ainda está concentrada em setores. "É mais comum em empresas de tecnologia, software e telecomunicações", explica Amad.

A Orbitall (processamento de meios de pagamento) é uma das que adotaram essa estratégia para a retenção de técnicos. "É o colaborador que define com o gestor seu plano de carreira", salienta a diretora- adjunta para a área de desenvolvimento da empresa, Eliana Frade, acrescentando que a remuneração é feita conforme a expertise do profissional.

Na empresa há 32 anos, o gerente de sistemas Carmo Luiz, 54, conhece os dois braços da carreira em Y. Começou como encarregado e subiu para supervisor, mas, em 1986, foi convidado a migrar para a área de desenvolvimento de sistemas.

"Quando estou na área técnica, tenho satisfação em relação à parte pela qual fui responsável. Quando vou para a gerencial, a satisfação é pelo todo."

Há oito anos, decidiu voltar ao cargo de gerente. Fez cursos de negociação e gerenciamento de projetos antes de assumir. Mas diz que há um período de adaptação. "Agora tenho outro desafio, já que não me envolvo diretamente nos projetos", diz.


     

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