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22/04/2007 - 12h36

Reconhecimento é maior estímulo para funcionário

da Folha de S.Paulo

Planos de incentivo a idéias são uma nova face das relações de trabalho, diz a especialista em inovação Gisela Kassoy.

"O relacionamento entre profissional e empresa está em transição. O modelo anterior definia claramente as tarefas de um funcionário, que era pago estritamente para realizá-las", analisa. "A tendência é trabalhar para obter resultados, tanto específicos do cargo como da empresa."

Por causa disso, as formas de remuneração estão se transformando. "Surgem as atividades participativas e, entre elas, os programas de idéias", indica.

Para a professora de RH da USP e coordenadora da FIA (Fundação Instituto de Administração) Ana Cristina Limongi, além do contrato jurídico entre empregador e empregado, há também o psicológico: a empresa quer resultados; o funcionário, reconhecimento.

"Mas, na área de inovação, isso ainda não está claro", sinaliza ela sobre as regras que regem esse contrato psicológico. Há um desafio de gestão para aprimorar programas de contrapartida", explica Limongi, que publica, em maio, livro em que aborda o tema.

"Para o colaborador, além de vantagens concretas como dinheiro, há ganhos em prestígio, que podem vir a ser decisivos nas promoções", avalia Kassoy.

Alessandro Oliveira, 30, é exemplo disso. Enquanto supervisiona a implantação de um projeto que criou em 2006, finaliza uma outra sugestão.

Coordenador da Ticket Transportes --empresa que incentiva sugestões de funcionários por meio da intranet--, Oliveira afirma que a melhor recompensa para boas idéias é o reconhecimento de superiores.

"Estou a um passo da promoção. Com certeza, ela virá mais rápido", aponta Oliveira, que diz considerar as sugestões um "trampolim" em sua carreira.
A companhia não oferece bônus ou presentes a quem tem idéias aprovadas, mas garante que a aproximação com diretores dá visibilidade.

"É uma forma de se mostrar para executivos seniores da organização", avalia Gustavo Chicarino, diretor da Accor Services. "É preciso sair da zona de conforto para encarar o risco."

Tarefa a mais

Quando encarada como vitrine, não como responsabilidade, a maioria das empresas declara que apontar soluções não remete a mais pontos na avaliação de desempenho.

No programa da Unilever para profissionais de alto potencial, a sugestão é parte da missão dos funcionários --e renderá mais ou menos visibilidade de acordo com o sucesso obtido. "Eles têm de criar um produto que faça frente aos demais", destaca Vera Durante, gerente de RH da companhia.


     

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