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12/08/2007 - 11h16

Companhias criam planos para superar o inesperado

MARIANA IWAKURA
da Folha de S.Paulo

Em 11 de setembro de 2001, o ataque ao World Trade Center, em Nova York, matou milhares de funcionários e visitantes. Junto com eles, desapareceram departamentos inteiros de grandes empresas e pequenas firmas que atuavam no local.

A tragédia foi um alerta para que as companhias começassem a voltar atenções a uma preocupação estratégica: o plano de contingência -ou o plano de continuidade de negócios.

Criado para proteger e garantir o funcionamento das partes vitais da empresa --incluindo os funcionários-- durante situações inesperadas, como ataques terroristas, incêndios, acidentes e epidemias, a adoção de estratégias de contingência começa a ganhar força no país.

Segundo o estudo "Prioridades de RH para 2007", da consultoria HuggardCaine, 23% das empresas disseram ter algum plano de contingência. Foram pesquisadas 64 companhias de diversos setores em 2006, ano em que essa questão foi incluída no levantamento.

"O 11 de Setembro, o tsunami e a gripe aviária mostraram que as empresas têm de ter um plano de ação, com "backup" de produção e de apoio", afirma Andrea Huggard-Caine, sócia da HuggardCaine. Esse conjunto de medidas afeta a segurança e o bem-estar dos empregados. "A empresa que estiver mais bem preparada irá proteger melhor o funcionário", diz.

Para Roberto Zegarra, diretor-executivo da consultoria Marsh, as diretorias das empresas já entendem a necessidade de ter plano de contingência. "Mas é algo que, apesar de ser considerado bom, ainda não é imprescindível", acrescenta.

Entretanto, segundo Zegarra, a tendência é que a preocupação com a continuidade das operações siga o mesmo caminho da preocupação com a qualidade: "Há 40 anos, nem se falava nisso. Hoje em dia, a empresa não sobrevive sem um departamento de qualidade".

Preparo contra crises

A Roche tem um plano de continuidade de negócios que prevê solução para 12 situações, que vão desde incêndio e explosão até interdição da empresa por órgãos fiscalizadores.

Na companhia, 10% dos funcionários são membros da brigada de incêndio. E todos são treinados para poder identificar e comunicar um problema. "Todo mundo precisa saber a diferença entre emergência e crise. A emergência é uma crise que está acontecendo na empresa", explica Maurício Tinello, 42, gerente de serviços técnicos e administrativos.

A aviação civil brasileira, diz Tinello, passa por uma crise. Para evitar uma emergência, após os acidentes com aviões e atrasos e cancelamentos sistemáticos, a Roche repensou as viagens dos funcionários.
A empresa não compra mais passagens para vôos que decolam do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e priorizou percursos terrestres.


     

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