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02/09/2007 - 13h41

Área de vendas é a que melhor remunera executivos, diz estudo

WILLIAN VIEIRA
colaboração para a Folha

A estabilidade e o aquecimento de alguns setores da economia desenham um cenário favorável a quem ensaia pedir um aumento ou espera por ele no próximo ano.

Segundo uma pesquisa da consultoria Watson Wyatt feita com 153 empresas no Brasil --representando 500 mil trabalhadores--, os reajustes salariais vêm crescendo, em média, cerca de 1% a 2% acima dos indicadores de inflação.

Essa tendência, diz a consultoria, deve se repetir no ano que vem, especialmente em áreas de vendas, nos setores jurídico e de marketing e em cargos que envolvam pesquisa e desenvolvimento de produtos.

Os executivos do setor de vendas foram os que tiveram o maior aumento em 2007 --8,9% a mais em relação a 2006.

"As empresas estão remunerando de forma mais agressiva, especialmente os executivos da área comercial, como resposta a um momento econômico favorável", explica Christian Mattos, gerente de capital humano da Watson Wyatt.

Entre os cargos não executivos, o aumento mais expressivo foi nas funções de marketing, que "oferecem uma ascensão mais rápida e elástica dentro da empresa", diz o consultor.

Mas, segundo a pesquisa, são os cargos de engenharia de pesquisa e desenvolvimento os que tiveram melhor remuneração.

Em busca de talentos

Segundo Mattos, a tendência de firmas estrangeiras criarem centros de desenvolvimento no país tem alavancado o salário de postos específicos, como o de engenheiro de produto.

"As empresas já encontram dificuldades para achar esse tipo de profissional e tentam manter seus funcionários aumentando salários", aponta.

Visão compartilhada por Geraldo Gianiselo, da consultoria Across, que afirma que os salários de gestores têm tido uma evolução acima da inflação nos últimos anos, movidos pelo bom momento econômico.

Segundo Gianiselo, isso acaba acirrando a competição pelos talentos, produzindo salários atraentes, sobretudo nos segmentos mais aquecidos.

Aumento restrito

Como muitas empresas têm datas rígidas para oferecer aumento por mérito a funcionários --o que Mattos chama de "mês do mérito"--, o consultor aconselha que ele só seja requerido em três casos. "Se assumiu funções novas e ainda não está sendo remunerado por isso; se tem outra proposta (real ou suposta) ou se tem um cargo muito necessário à empresa."

Mariá Giuliese é mais restritiva: recomenda que o pedido só seja feito quando houver outra proposta.

"É constrangedor pedir, não conseguir e ficar no mesmo cargo, pois se perde o poder de barganha futura."


     

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