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07/10/2007 - 09h00

Transtorno afeta vida profissional

DENISE RIBEIRO
Colaboração para a Folha de S.Paulo

Inquieto, impulsivo, impaciente, indisciplinado. O arquiteto Laerte Sakai, 49, utiliza essas palavras para descrever seu comportamento nos 14 anos em que trabalhou como executivo de uma construtora.

Assim que a rotina perdeu o tom de desafio, Sakai conta que se viu perdido com a sua falta de estrutura e incapacidade de lidar com prazos.

Estímulo é também o motor da vida da gerente de projetos P.R., 34, que afirma esconder atrás da eficácia sua inquietude e falta de foco.

"O que me manteve empregada até hoje é que eu produzo muito bem sob pressão", diz.

A executiva diz não saber lidar com a rotina. "Chego atrasada, falto no trabalho. Não consigo planejar", revela.

As histórias de ambos são os dois lados de uma mesma moeda -ou síndrome. O distúrbio do déficit de atenção (DDA) traz evidentes repercussões na vida profissional do portador não diagnosticado.

Malvistos

"Trabalhava um dia e passava dois distraída. A sensação é a de ser uma fraude", relata P.R., que demorou dez anos para obter o diagnóstico correto.

A neurologista Célia Roesler, da Associação Brasileira do Déficit de Atenção, diz que lidar com os portadores é um desafio para a maioria das empresas.

"São pessoas de raciocínio rápido, criativas e dinâmicas, quando estimuladas. Mas não são aceitas porque têm dificuldade para concluir tarefas, chegam atrasadas", define.

Essa conduta aparentemente rebelde se deve às características do distúrbio, que afeta a parte frontal do cérebro.

"Quando essa parte do cérebro é subutilizada, a pessoa perde a capacidade de pensar duas vezes e de gerenciar uma escolha", explica a neurologista Cleise Pereira de Castro Proa.

Por não inibir impulsos, o portador sofre de agitação motora e incontinência verbal. Anda por todos os lugares, faz comentários inadequados na hora errada e se altera facilmente.

"É o profissional ansioso, que não consegue esperar. Tem milhões de idéias, vontades e projetos, mas não os executa por ser incapaz de organizar, priorizar e planejar", pondera Proa.

Nessas situações, a neurologista faz duas recomendações: medicamento e terapia cognitivo-comportamental.

Esse foi o caminho encontrado pelo arquiteto Laerte Sakai para estruturar seu dia-a-dia. "Tenho sempre um grande relógio à vista para controlar o horário e aprendi a me organizar com prazos e prioridades. Agora já encaro reuniões sem me sentir mal", comemora.

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