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16/12/2007 - 11h38

Falta de qualificação vira principal obstáculo

da Folha de S.Paulo

A falta de qualificação de pessoas deficientes não deve ser considerada obstáculo para a contratação nas empresas.

É o que afirma João Baptista Ribas, 53, que é paraplégico e coordenador do programa de empregabilidade da Serasa. Para ele, relacionar qualificação e contratação é uma armadilha.

"É conveniente dizer que a empresa está aberta mas não há pessoas qualificadas. Só vamos enfrentar a realidade brasileira qualificando-as."

Ribas acrescenta que é a cultura da empresa que deve mudar. "As companhias precisam entender que comprar um software para cegos é igual a adquirir um pacote Office, ou seja, um investimento. Os profissionais têm de dar resultado."

Glaucy Bocci, consultora sênior da Hay Group, ressalta que as mudanças nesse cenário já são visíveis. "As empresas têm levado as contratações a sério, de maneira criteriosa. Existe a consciência de que é preciso haver um investimento inicial em qualificação de profissionais com deficiência", avalia.

Proatividade

Para quem não quer esperar pela qualificação via empresa, a alternativa são cursos especiais.
Desempregado havia dez anos, Valmir Dorazio, 51, só conseguiu trabalho depois de fazer um curso de telemarketing no Instituto Paradigma. "Sou formado em administração, mas, por causa da deficiência [causada pela poliomielite], não conseguia emprego."

Dorazio diz já ter sido "vítima" da Lei de Cotas. Para ele, que hoje coordena a área de produtos de uma firma, a discriminação está na impossibilidade de ascensão na carreira. "Se você tem deficiência, não cresce na empresa", contesta.

"Eu me sinto subaproveitada", atesta a estagiária Luciana dos Santos, 27, que teve, aos 11 anos, um tumor cerebral com seqüelas. Hoje ela faz parte de um programa de inclusão de um escritório de advocacia.
"As pessoas não me passam trabalho, com medo de que eu não consiga resolvê-lo", conta.

Para Danilo Namo, 37, doutor em educação especial e coordenador de capacitação do Instituto Paradigma, há outro problema relacionado à qualificação profissional: "As pessoas não buscam instrução com medo de perder um benefício dado pelo governo".


     

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