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24/02/2008 - 09h30

Patrocínio de curso próprio visa ao ensino personalizado

IGOR GIANNASI
da Folha de S.Paulo

Em tempos de falta de mão-de-obra qualificada, várias empresas fazem parcerias com instituições de ensino para formatar cursos de pós-graduação exclusivos, a fim de atender suas necessidades estratégicas.

Vantajosa para as companhias, seja pela redução do custo do programa, seja pelo estudo de situações da própria casa, a iniciativa é fonte de motivação de talentos, que ganham com o conhecimento adquirido e a valorização dos currículos.

"Eles levam a teoria geral que aprendem para qualquer empresa em que forem trabalhar", observa Waldomiro Barbosa Júnior, gerente de negócios da Universidade Mackenzie.
Para consultores ouvidos pela Folha, a especialização pode significar ainda uma recompensa pelo desempenho do funcionário e uma aposta em seu potencial para ocupar cargos de liderança no futuro.

"É um benefício de longo prazo e faz com que as pessoas se apeguem mais à empresa", diz Sinaldo dos Santos, 30, analista de planejamento financeiro da Engevix Engenharia. Ele cursa MBA em gerenciamento de projetos de engenharia, parceria da empresa com a Fundação Getulio Vargas.

Fazer uma especialização já constava da lista de planos do supervisor de recursos humanos da Lupo Carlos Bolato, 43. O que o impedia de seguir com o plano, porém, eram o alto investimento e a falta de tempo.

A oportunidade de obter a titulação surgiu com o convênio da empresa com a Universidade de Araraquara para a pós-graduação em gestão do setor têxtil. As aulas são na fábrica.

Como funciona

Empresas de segmentos diversos, como McDonald's, AmBev, Carrefour, Pão de Açúcar e Banco Itaú investem na realização de cursos "in company".

A cobrança ou não dos colaboradores depende da política de cada companhia -o subsídio pode ser integral ou parcial.

Já a formatação da grade do curso tem de estar totalmente ligada ao planejamento estratégico da empresa. "A organização precisa, de certa forma, obter retorno do investimento", salienta Edgar Costa, diretor de educação corporativa da BBS (Brazilian Business School).

A desvantagem dos cursos fechados, para Joseph Teperman, consultor da Michael Page, é que o executivo não forma uma rede externa de contatos.
Nesse caso, a responsabilidade de "oxigenar as idéias", ou seja, fazer o "benchmark" (trazer modelos das melhores práticas de outras companhias) fica a cargo do professor.

Na avaliação de Jacques Gelman, coordenador do GV In Company da Eaesp-FGV (Escola de Administração de Empresas de São Paulo), outro ponto é que as empresas correm o risco de perder os funcionários já capacitados. "Mas faz parte do jogo. Elas também vão atrás dos talentos dos concorrentes", observa.


     

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