23/03/2008
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09h44
Atrás dos palcos, vale ter experiência
DIOGO BERCITO
Colaboração para a Folha de S.Paulo
Para atuar nos bastidores de peças de teatro, shows e musicais, pesa na escolha dos empregadores a experiência adquirida pelos profissionais durante anos passados atrás dos palcos, além de sua capacidade de adaptação à rotina dos espetáculos.
Assim, o mercado privilegia aqueles que já fazem parte dele --o que dificulta a entrada de novatos. "Os profissionais são geralmente indicados por pessoas com quem já trabalharam outras vezes", aponta Luque Daltrozo, 42, produtor da montagem brasileira de "Aida".
"Os diretores gostam de trabalhar com os mesmos técnicos, porque já sabem que eles chegam sempre no horário e não costumam causar problemas", completa.
Para Dhora Costa, professora de moda no Centro Universitário Belas Artes, "há uma quantidade restrita de bons profissionais atuando nessa área". "Depois que ele cria seu nome e conquista o respeito do mercado, é convidado para fazer outras peças", explica.
O contra-regra Esequiel Tibúrcio Júnior, 26, é um dos profissionais que caíram nas graças das grandes produções e, por isso, costumam sempre ser requisitados.
Trabalhou em produções como "A Bela e a Fera", "O Beijo da Mulher Aranha", "Les Misérables", "Peter Pan" e "Aida".
Prática
Outra razão para se encontrarem os mesmos profissionais em diversos espetáculos é, para Daltrozo, o fato de que, na área cultural, "a formação tradicionalmente se dá na prática, não em cursos."
Alex Sander Brandão, 25, por exemplo, aprendeu o ofício com o pai, que é iluminador. Começou aos 15 anos. Hoje, é diretor de palco. "Gosto muito de musicais, porque são completos --têm atuação, música e dança em uma coisa só", conta.
Para os profissionais de maior peso na produção, como o cenógrafo e o figurinista, o mercado é ainda mais fechado. Segundo Daltrozo, as pessoas envolvidas diretamente com criação foram escolhidas por um acordo entre a produção e a direção do espetáculo.
Remuneração
Diferentemente dos demais empregados, esses profissionais são remunerados pelo conjunto da obra, não por mês. Depois da estréia da peça, seu trabalho consiste na supervisão e na manutenção do que foi criado anteriormente.
O figurino, por exemplo, é danificado em cada apresentação e precisa ser reparado.
Tanto para os que recebem mensalmente como para os que são recompensados pelo trabalho de criação, a entrada de dinheiro depende de haver uma produção em andamento. "Quando você atua com teatro, nem sempre há trabalho", diz Brandão.