23/03/2008
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09h49
Transporte fretado é pouco oferecido
NATALIE CATUOGNO CONSANI
Colaboração para a Folha de S.Paulo
Garantido por lei, o vale-transporte é oferecido pela maioria das empresas. Benefícios que vão além disso --como o fretamento de ônibus para os funcionários-, contudo, não estão no foco delas.
"Entende-se que esse benefício não influencia a atração nem a retenção de talentos, pois é de baixa percepção e voltado para trabalhadores da base da pirâmide", aponta o consultor sênior da Mercer Alexandre Espinosa.
De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria Hewitt em 2007, apenas 44% das firmas concedem aos empregados alternativas de transporte, como o fretamento.
"É um benefício que demanda tempo do departamento de recursos humanos", diz Mauricio Araujo, consultor sênior da área de benefícios da Hewitt.
Preferências
Mas os funcionários parecem preferir as alternativas ao transporte público e ao carro.
Firmas de fretamento têm tido demanda crescente, puxada pela procura dos trabalhadores --com ou sem o subsídio das empresas, segundo a Assofresp (associação de empresas de fretamento e turismo).
Na ADM Fretamentos, a procura aumentou 35% de janeiro a março de 2008. A ADM Leão ampliou de 52 para 60 suas linhas neste ano.
Uma enquete coordenada pela ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) na região metropolitana de São Paulo em 2000 constatou que 97% das pessoas consideram o fretamento um meio de transporte excelente ou bom.
Oferecer alternativas de transporte é algo a ser analisado pelas companhias, segundo consultores. Araújo, da Hewitt, recomenda que a firma avalie se os funcionários usam fretados por conta própria ou têm problemas para ir ao trabalho.
"Ou se enfrentam problemas como atraso, absenteísmo ou perda da qualidade de vida", acrescenta Andrea de Paula Santos, sócia-diretora da Ascend Consultoria.
É o caso de Elaíce Farias, 21, analista de recursos humanos da Steer RH, que tem o fretado pago pela empresa. Com o transporte público, ela levaria três horas para ir da zona leste, onde mora, para o Brooklin, na zona sul, onde trabalha. "Se não fosse o fretado, desistiria do emprego", diz Farias.