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06/04/2008 - 12h51

Profissionais assumem cargos diferentes da formação

IGOR GIANNASI
Colaboração para a Folha de S.Paulo

Durante muito tempo, os médicos achavam que Isaac Gil, 57, diretor clínico do Hospital Santa Paula, em São Paulo, fosse administrador de empresas. Cardiologista formado em 1976, ele, na verdade, atuou pouco tempo na medicina.

Gil chegou a abrir um consultório, mas logo decidiu dedicar tempo integral à gestão administrativa na área de saúde. "Se eu continuasse na esfera médica, talvez fosse só mais um", considera. "Agora, con- sigo ver os dois lados."

Esse caso do médico administrador é um exemplo de como profissionais "invadem" áreas que não são exatamente aquelas ligadas ao seu passado acadêmico.

"A formação, assim como a escola em que ela foi obtida, é um detalhe importante mais no início da trajetória profissional", aponta Gilberto Guimarães, presidente do Grupo BPI.

Técnicos X líderes

Segundo ele, na hora de escolher um candidato a um posto de gestão, as realizações que o profissional obteve na carreira são mais relevantes. "Elas comprovam que ele está preparado para o próximo desafio."

Uma prova de que a experiência pode falar mais alto do que a formação é a existência de bons técnicos com competências de liderança que deixam a desejar, na avaliação de Brunna de Campos Veiga, gerente de desenvolvimento organizacional da Caliper Estratégias Humanas.

"Em dois anos, é possível fazer um curso de especialização. Mas, nesse período, não se aprende a ser um bom líder", compara Veiga.

Identidade

Formado em ciência da computação, José Roberto Coutinho, 39, sempre planejou que iria trabalhar com negócios, e não na área técnica.

Os desafios profissionais encontrados na IBM, onde começou a atuar após a faculdade, levaram-no para a área de recursos humanos. "Conforme a carreira do profissional se desenvolve, ele se identifica com outras áreas", diz.

Atualmente, Coutinho é diretor desse setor na fabricante de computadores Lenovo.

Outro profissional com formação em exatas que redirecionou a carreira foi o engenheiro industrial Rafael Garrido, 35.

Há dois meses, ele é responsável pela unidade de seguros e previdência da everis, empresa de consultoria tecnológica.

A mudança de área ocorreu naturalmente, conta o engenheiro. "Estava procurando um trabalho no qual conseguisse desenvolver um conhecimento mais amplo."

Para Elaine Saad, gerente da consultoria Right Management, a disputa de profissionais de formações diferentes por vagas no mercado de trabalho tem origem na falta de uma orientação adequada para a escolha da profissão.

"A pessoa define a carreira depois da formação universitária", assinala.


     

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