20/04/2008
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09h15
Profissional vê nas telonas estigma de perfil da vida real
DIOGO BERCITO
Colaboração para a Folha de S.Paulo
Nos cinemas, os corretores de ações já se viram interpretados nos mais diversos papéis. Estiveram em "Wall Street, Poder e Cobiça", "Psicopata Americano", "A Fogueira das Vaidades", "O Eclipse", "A Fraude" e no recente "Um Bom Ano".
O fator comum entre os personagens desses filmes é o reforço que trouxeram ao estereótipo já consolidado de que esse profissional trabalha demais, é apaixonado pelo poder e só tem olhos para o dinheiro.
A imagem não é de todo fantasiosa, diz o professor de finanças José Roberto Securato: "Esses profissionais estão acostumados a dizer "ganhei" ou "perdi", e a variável é dinheiro".
O contraponto é que os bancos e as corretoras estão hoje preocupados com questões de sustentabilidade e governança.
"Mais importante do que ganhar dinheiro é a forma com que se ganha", diz Securato.
Comunicativos
Nos filmes, a figura central no mercado de capitais é o corretor, responsável pela compra e pela venda de ações. Na vida real, para exercer a função, é preciso ser aprovado em um exame qualificatório aplicado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que regulamenta o mercado de capitais.
"É uma profissão cada vez mais definida e profissionalizada", afirma Homero Amaral, presidente da Ancor (Associação Nacional das Corretoras).
Apesar de o diploma universitário não ser exigido pela CVM, quem tem ensino superior completo --de preferência, em economia-- sai na frente.
Comunicação, nesse cargo, é essencial. "Não dá para ser tímido nem retraído", diz Iraiana Leonardi, 23, que trabalha na Intra Corretora. "Temos de saber nos expressarmos, pois lidamos com as pessoas e com o dinheiro delas."
Leonardi conta que estreou como corretora por acaso. Estudava direito e trabalhava na área de concessão de crédito quando lhe sugeriram o ingresso no mercado financeiro -aceitou e transferiu sua graduação para economia.
"Não é fácil. Ser corretor exige 110% do seu empenho", diz. "É importante ser uma pessoa que não se desliga, que não pára, que sempre busca o novo."
A procura incessante pelo novo é, para Frederico Góes, 52, da Fator Corretora, uma das vantagens de seu trabalho. Formado em psicologia, Góes aponta como positiva a falta de rotina da sua longa jornada de trabalho --de 12 horas por dia. "Não há monotonia".