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27/04/2008 - 09h58

Trabalhar no cliente requer adaptar espaço e tempo

MARIANA IWAKURA
da Folha de S.Paulo

Passar muito tempo no cliente, quando se tem um empregador que presta serviços para outras companhias, é a realidade de muitos advogados, consultores e especialistas em tecnologia da informação.

Como qualquer profissional, eles se preocupam com suas carreiras. Mas, além disso, precisam se adaptar a um local de trabalho que não é o de seus colegas de empresa e às regras da firma contratante. Em suma, eles atuam com tempos e espaços que variam conforme são realocados.

Em entrevista com 15 consultores que trabalhavam no cliente, a administradora Diana Johnson identificou que esses profissionais não se sentiam donos de seu tempo. O trabalho fez parte da dissertação de mestrado defendida em 2007 no Instituto Coppead de Administração, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

"A dinâmica da consultoria que os empregava era uma, mas eles tinham de se adaptar rapidamente ao tempo do cliente --à carga horária e à duração de projetos. Eles não podiam fazer um curso, pois não sabiam onde estariam no dia seguinte."

A mudança de espaço, tanto o geográfico como o físico, de infra-estrutura da empresa, também pesava. "Eles reclamavam que não tinham uma mesa para colocar uma foto da mulher ou um telefone para passar para amigos", conta Johnson.

Dinâmica

Segundo Rodolfo Eschenbach Jr., responsável pela área de desempenho humano da consultoria Accenture, que mantém cerca de 60% dos seus funcionários nos clientes, o lado positivo desse trabalho é permitir que o profissional conheça culturas empresariais.

Por outro lado, é preciso ser adepto da falta de rotina. "Se ele quiser ter um local fixo, não conseguirá levar [o esquema de trabalho no cliente]", alerta.

Acostumado a estar sempre em visitas a clientes no Brasil e na América Latina, Eduardo Falcari, 42, engenheiro de aplicações da PTC, do setor de softwares, diz que não sente falta do convívio com a empresa.

Responsável pela pré-venda, ele fica fora do escritório durante metade do mês. "Fico incomodado quando passo três semanas sem viajar", conta.

A dinâmica tem um custo: Falcari ainda não sabe se conseguirá os 75% de presença em um curso de gerência estratégica de projetos que começou. "Não vou fugir de faltar", prevê.


     

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