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27/04/2008 - 10h15

Acompanhamento e comunicação fazem parte de motivação

da Folha de S.Paulo

O bom desempenho e a identificação do profissional com o trabalho podem ser garantidos pelo acompanhamento da companhia que o emprega.

"A competência se constrói na relação entre profissionais", diz Márcio Campos, professor da Fundação Dom Cabral. Segundo ele, o empregador deve promover reuniões periódicas.

Os profissionais que não se sentem vinculados à empresa, mesmo que a distância, ficam em terra de ninguém. "Ele é um apátrida", observa Campos.

Na HP, cerca de 20% dos 2.400 colaboradores estão alocados em clientes. Eles passam por aculturamento e mantêm comunicação diária com a empresa, destaca o diretor de recursos humanos, Jair Pianucci.

O processo de avaliação, diz o diretor, é mandatório, e inclui a opinião da firma freguesa. Outro cuidado é a comunicação com funcionários do cliente, que devem saber por que se contratou o terceirizado.

"É normal se sentirem ameaçados ou competirem com a gente", diz o consultor Eduardo Leone, 30, da consultoria BCG (Boston Consulting Group). "[O trabalho] só gera frutos se conquistamos confiança."

A advogada Paula (nome fictício), 26, sofreu hostilidade quando atuou dentro de uma empresa de telecomunicação, cliente de seu escritório.

"Alguns achavam que, por eu estar lá, iriam perder o emprego. Trataram-me mal", conta.

Expectativas

O contrato entre o empregador e o cliente é crucial para a motivação do colaborador. "Há uma confusão nas expectativas que ele tem [em relação às empresas], e isso depende de como o contrato é amarrado", aponta Ana Luiza Lopes, autora da dissertação de mestrado "Servindo a Dois Senhores".

Ela entrevistou 16 profissionais de TI que trabalhavam em companhias clientes havia pelo menos dois anos.

A pesquisa, defendida em 2006 na PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica), verificou que, quando o contrato não especificava a responsabilidade de cada firma quanto ao trabalhador, ele se sentia "órfão".

"Os entrevistados disseram não saber a quem pedir um aumento", exemplifica Lopes. Em acordos que determinavam as atribuições, "o indivíduo sabia que estava vinculado à consultoria de TI e que a contratante era um mero cliente".


     

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