Folha Classificados
Empregos

ANÚNCIO COM FOTO

Digite o código do anúncio correspondente conforme modelo impresso no jornal
Código
 

Minha seleção

Anuncie

Imóveis

Empregos

Veículos

Negócios

Infoshop

Revista da Folha

Campinas

Vale

Ribeirão

Fale com a gente

Ajuda

Se preferir, ligue
(11) 3224-4000

25/05/2008 - 14h22

Incompreensão dificulta a volta de quem perde parente

MARIA CAROLINA NOMURA
da Folha de S.Paulo

Pouco menos de um mês após a morte de seu pai, a advogada Adriana Calvo, 34, recebeu um telegrama da universidade onde lecionava dizendo que ela havia sido demitida.

A insensibilidade da instituição em relação ao momento de luto, conta, deixou-a chocada. "Meus alunos me deram muito apoio, mas, para a faculdade, eu era mais um número", lamenta.

Calvo diz que retomou os trabalhos depois de uma semana da morte de seu pai. "Liguei o piloto automático. Mas houve um dia em que comecei a chorar no meio da aula", lembra.

No ambiente de trabalho, teve apoio dos alunos e de alguns colegas --a maioria, porém, deixou de conversar com ela.

Essa reação dos companheiros é comum e fruto da cultura ocidental, que não discute a morte, segundo a psicóloga Elaine Alves, do Laboratório de Estudos sobre a Morte da Universidade de São Paulo.

"A morte é um tema interdito e não existe estudo sobre luto no ambiente de trabalho. Mas já há empresas que buscam informações para lidar com isso."

"Chefes e colegas não compreendem que a dor continua e que o nível de estresse do enlutado sobe. As pessoas ficam constrangidas com a sua dor e, às vezes, com raiva porque têm de trabalhar dobrado", acrescenta Rosane Melo, especialista em estudo da morte.

Por não sentirem abertura para falar sobre a perda, as pessoas não conseguem trabalhar o luto dentro de si e, além de terem crises de choro, podem aumentar o consumo de álcool e cigarro, segundo Holly Prigerson, professora de psiquiatria da Universidade Harvard.

De volta

Se, por um lado, o luto impede que a pessoa dê seu máximo no trabalho, por outro, retornar à profissão pode ter efeitos terapêuticos, na visão da psicóloga Carla Hisatugo, 33, que perdeu o filho, que tinha três anos e meio, há um mês.

"Voltei a trabalhar depois de 15 dias da morte do Gustavo. Gostar do trabalho é um motivador porque, quando você retoma a atividade, sente que tem alguma utilidade na vida", diz.

Para a educadora em saúde Marta Gunther, 51, que perdeu o marido há sete meses, trabalhar é um alívio. "Fico ocupada e não penso na dor."


     

CURSOS ON-LINE

Englishtown

Deutsche Welle

FGV Online


Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.