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25/05/2008 - 14h25

Perda pode ter efeitos negativos para empresa

MARIA CAROLINA NOMURA
da Folha de S.Paulo

Algumas empresas já acompanham o luto do funcionário de perto, por meio de gestores e profissionais de recursos humanos. Isso porque a baixa produtividade e os distúrbios de memória aumentam as chances de erro e podem comprometer não só o desempenho do trabalhador mas também toda a cadeia produtiva da empresa.

De acordo com Russel Friedman, diretor-executivo do Grief Recovery Institute (Instituto de Recuperação do Luto), um estudo elaborado pela entidade em 2003 revelou que chega a US$ 75 bilhões o prejuízo das companhias no mundo que não cuidam dos enlutados.

"Os funcionários não podem estacionar a dor do lado de fora do trabalho. É preciso dar-lhes tempo para se recuperarem e espaço na empresa para conversarem sobre o assunto", diz.

A Hallmark dos Estados Unidos, por exemplo, tem um programa específico no qual os empregados com algum problema podem se conectar com outros que passaram por dificuldades semelhantes, a fim de compartilhar as experiências.

Friedman calcula que a demanda por informação sobre como cuidar do luto de funcionários aumentou 800% nos Estados Unidos e no Canadá, após a publicação do estudo.

No Brasil, a busca por informação sobre o assunto, apesar de ainda ser tímida, existe.

"As empresas têm se conscientizado da importância dessa necessidade", afirma Maria Helena Pereira Franco, coordenadora do Laboratório de Estudos e Intervenção sobre o Luto da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Para José Tolovi Jr., presidente do Great Place to Work, empresas que não se preocupam com o seu capital humano estão na contramão da tendência mundial. "O ideal é implementar programas que visem a auxiliar o profissional quando ele se depara com momentos de crise pessoal", explica.

Na Petrobras, por exemplo, são feitas palestras para gestores e profissionais de saúde da companhia para falar sobre o luto e outros assuntos que envolvem o sentimento de perda, como a aposentadoria, aponta Elaine Alves, do Laboratório de Estudos sobre a Morte da Universidade de São Paulo.

Pressão

Os prazos cada vez mais curtos e a competitividade fazem com que os funcionários percam a sensibilidade diante do luto ou do problema do colega, afirma Daniele Mendonça, gerente de negócios da Across, empresa de recursos humanos.

"É importante que a pessoa enlutada seja tratada com compreensão. Deve ser envolvida no trabalho, mas com prazos de entrega maiores", exemplifica.

Para Friedman, se a empresa perceber que, ao cuidar do funcionário, ela estará olhando para si mesma, prejuízos emocionais e financeiros para ambas as partes serão evitados.


     

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