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08/06/2008 - 09h57

Qualificação é impasse para quem cuida do patrimônio

Colaboração para a Folha de S.Paulo

Com um rico acervo de construções históricas e objetos de arte como quadros e esculturas, não há como negar o potencial do Brasil para absorver profissionais que têm como desafio preservar o passado cultural.

O impasse fica por conta da falta de qualificação de quem tem como missão perpetuar essa identidade para as futuras gerações, dizem os profissionais consultados pela Folha.

Em se tratando de edificações, há campo para arquitetos e engenheiros civil e eletricista com formação especializada. Há também trabalho para quem conserva e recupera bens móveis, como restauradores, artistas plásticos e museólogos.

"Apenas com o curso de graduação não se tem conhecimento suficiente para trabalhar com o patrimônio", comenta Cyro Lyra, assessor-técnico da presidência do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Entre os melhores cursos de especialização, destaca Lyra, estão os das universidades federais da Bahia, de Pernambuco e de Minas Gerais.

Sem critérios

A falta de formação específica tem resultado em intervenções no patrimônio sem que se obedeçam aos critérios científicos aceitos internacionalmente. Essa é a avaliação de Silvio Zancheti, presidente do conselho administrativo do Ceci (Centro de Estudos Avançados da Conservação Integrada).

"As escolas de arquitetura basicamente ensinam o novo. A questão do restauro dentro delas é muito incipiente, muito marginal", comenta Zancheti.

Há instituições, contudo, que tentam suprir essa demanda latente por especialização na área de patrimônio cultural.

A FGV (Fundação Getulio Vargas) de São Paulo, por exemplo, começou a ministrar há três anos o mestrado profissional em bens culturais e projetos sociais. No Rio, a instituição já tinha uma versão com um perfil mais acadêmico.

Para Marcos Fernandes, coordenador do curso, há deficiência no mercado de profissionais capacitados para fazer a gestão de atividades culturais e de preservação da memória: "Aspectos administrativos e sociais devem ser considerados".

Com interesse explícito em preservar o imenso acervo artístico sob a guarda da Igreja Católica, a PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) lançou, para o vestibular de inverno, o curso superior tecnológico em conservação e restauro, com 35 vagas.

A coordenadora do curso, Elaine Caramella, considera que essa graduação servirá para acabar com a lacuna entre profissionais habilitados para o restauro --mas sem formação acadêmica-- e aqueles com passagem pelo ensino formal -mas que não apresentam experiência em ateliês.


     

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