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15/06/2008 - 11h52

Setores em ebulição buscam técnicos

MARIANA IWAKURA
da Folha de S.Paulo

Com o aquecimento de segmentos como os de construção civil, de petróleo e gás e automobilístico, profissionais de nível técnico tornam-se alvos de investimento dos setores público e privado.

O governo federal planeja construir 150 escolas técnicas federais, em todos os Estados, até 2009. O investimento inicial será de R$ 750 milhões. As unidades deverão abrigar cursos de qualificação, superiores e técnicos de nível médio.

Também foi anunciada expansão no ensino técnico do Estado de São Paulo: o governo prevê ampliar o número de Fatecs (Faculdades de Tecnologia) de 39 para 52 até 2010 e expandir o número de vagas nas Etecs (Escolas Técnicas Estaduais) de 77 mil para 177 mil.

Alguns segmentos despontam na absorção desses profissionais --o de construção civil é um deles. Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), o setor foi o que teve o maior aumento no número de empregados entre abril de 2007 e abril de 2008, com variação de 11,3%.

"Se não houver formação de mão-de-obra, o setor poderá colapsar em cinco anos. A escola técnica dá retorno rápido: forma o profissional em dois anos", diz Gleisson Rubin Cardoso, coordenador de gestão da rede federal de educação profissional e tecnológica.

Absorção

Alguns cursos técnicos em construção civil têm índice de empregabilidade (porcentagem de formados empregados na área) de mais de 80%. "Percebemos um aumento na demanda por profissionais de dois anos para cá", destaca Ivone Ramos, responsável pela área no Centro Paula Souza.

De acordo com levantamento feito pela instituição em 2007, entre os formados em 2005, 79,3% ganhavam até seis salários mínimos, e 10,7%, entre seis e oito salários mínimos.

Robson Lucena, 20, técnico em construção civil formado pelo Cefet-SP (Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo), já trabalhava na área quando decidiu fazer o curso técnico. "Ao passar de estagiário para técnico, meu salário aumentou em 200%", diz Lucena, que trabalha na Concremat e, agora, cursa engenharia civil. "Há muitas vagas, mas é preciso ser qualificado, realmente saber fazer", ressalta.

Na Araujo Abreu Engenharia, que tem cerca de 3.000 funcionários, há "muita demanda" por esses profissionais, diz o diretor técnico, Josemar Lúcio de Ávila. "Participamos de concorrências e buscamos profissionais em razão dos contratos que fechamos. É difícil achar técnicos, e por vezes temos de disputá-los com outras empresas, aumentando salários."


     

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