Folha Classificados
Empregos

ANÚNCIO COM FOTO

Digite o código do anúncio correspondente conforme modelo impresso no jornal
Código
 

Minha seleção

Anuncie

Imóveis

Empregos

Veículos

Negócios

Infoshop

Revista da Folha

Campinas

Vale

Ribeirão

Fale com a gente

Ajuda

Se preferir, ligue
(11) 3224-4000

29/06/2008 - 14h17

Vítimas de assalto têm maior risco de transtorno

IGOR GIANNASI
Colaboração para a Folha de S.Paulo

Era uma tarde de segunda-feira. A agência bancária onde J. trabalha como gerente não estava mais aberta ao público, e ele se preparava para fazer o fechamento do dia.

Um homem vestido de carteiro bateu no vidro para chamar a atenção do vigia. Ao invés de cartas, ele tinha uma arma. Após render o funcionário, o assaltante entrou na agência com outros comparsas.

"Não consegui demonstrar reação nenhuma, simplesmente congelei", conta J.

Após o ocorrido, ele voltou ao trabalho, mas, dias depois, "quando a ficha caiu", sentiu que não conseguiria continuar. Afastado de suas funções, J. diz que ainda está abalado: passa por tratamento psicológico e toma remédio para dormir.

De acordo com a literatura médica internacional, o assalto é o evento violento com o maior risco de desencadear o TEPT (transtorno de estresse pós-traumático), afirma a professora de psicopatologia do trabalho Sílvia Jardim, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Coordenadora do Programa de Atenção à Saúde Mental dos Trabalhadores do Instituto de Psiquiatria da instituição, Jardim diz haver entre seus pacientes um aumento de casos do transtorno relacionados a esse tipo de crime.

Segundo ela, bancários, entregadores de mercadorias e motoristas e cobradores de ônibus são os mais expostos.

"Vemos esses trabalhadores absolutamente desprotegidos nessas situações", comenta.

Programas

No primeiro trimestre deste ano, segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública, ocorreram 66 assaltos a banco no Estado de São Paulo.

Algumas instituições financeiras têm programas para atender a funcionários que passaram por situações de violência. O Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Banco Real, por exemplo, oferecem assistência psicológica e jurídica aos colaboradores que sofreram assalto ou seqüestro.

Na Nossa Caixa, são feitos encontros terapêuticos em uma pousada no interior paulista. "É um espaço para que os funcionários tenham contato com as suas emoções", destaca Maria Alice Moretti, coordenadora de suporte à gestão da saúde do banco.

Para Marcelo Batista Nery, pesquisador do NEV-USP (Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo) e do Instituto São Paulo Contra a Violência, quando há um ato violento dentro de uma empresa, é preciso analisar os motivos da ocorrência e, depois, tomar atitudes diante das conclusões.

Ao contrário do que, segundo Nery, costuma acontecer em algumas companhias, que preferem abafar o fato, o pesquisador aconselha que todos os funcionários sejam informados do ocorrido. "Não se deve acobertar a situação."


     

CURSOS ON-LINE

Englishtown

Deutsche Welle

FGV Online


Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.