21/12/2008
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10h40
Plano de carreira e "networking" levam trabalhador da roça à vice-presidência
colaboração para a Folha de S.Paulo
Aos dez anos, Adalberto Sentinello, hoje com 55, fez seu primeiro projeto de vida: "Tirar a família da miséria". Mas só dois anos depois, quando a seca em Vitória Brasil, a 588 km de São Paulo, comprometeu a plantação --e seu trabalho na colheita de algodão e café-- é que vieram os sinais de mudança. Veja vídeo.
A família transferiu-se para Jales, uma cidade próxima, e Sentinello ingressou num escritório de contabilidade.
Começou entregando documentos e chegou a auxiliar de contabilidade. Mas queria mais. Mudou-se para Jundiaí, a 60 km de São Paulo, onde galgou vaga de apontador de produção numa fábrica de louças. Entrou em uma faculdade de administração e migrou para o setor de contabilidade. "Foi lá que conheci um gerente que mudou minha vida. Disse a ele que queria ser diretor financeiro e, juntos, traçamos meu plano de carreira", recorda.
Fez exatamente o planejado. Trabalhou com auditorias externa e interna. Em 1982, estava preparado para ser diretor, mas faltava saber falar inglês. Antes de ir para os Estados Unidos estudar, comprou uma casa para os pais.
"Queria cursar um MBA, mas não tinha recursos. Fui faxineiro, motorista, jardineiro e churrasqueiro." Segundo ele, não passou fome. "Mas comi muito pão com mel, que era barato, e também chorei muito." Concluiu o MBA na Universidade da Califórnia e, antes de voltar ao Brasil, em 1985, escreveu para o presidente de uma companhia de alumínio. Meses depois, assumiu o cargo de gerente de contabilidade.
Em 1987, atingiu seu objetivo e se tornou diretor financeiro. Mas não parou. Foi ainda vice-presidente financeiro. A trajetória, que pode parecer fácil, tem um segredo: "Sabia aonde queria chegar". Agora, Sentinello atua como consultor. "É lucrativo." Mas não exclui a possibilidade de voltar ao mundo corporativo. "Depende do projeto", ressalva.
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