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12/04/2009 - 10h25

Regularização atinge 200 mil no setor de teletrabalho em SP

ANDRÉ LOBATO
Colaboração para a Folha de S.Paulo

Documentos sobre a qualidade de vida no ambiente de trabalho em teleatendimento mostram que a pressão pelo cumprimento de prazos, as condições ergonômicas insatisfatórias, a cronometragem de cada segundo de rendimento e as lesões por esforço repetitivo estão entre as barreiras para a vida sadia do atendente.

Soma-se a isso a falta de uma cultura trabalhista necessária para o setor, que está entre os que mais empregam no país.

Somente no Estado de São Paulo, 200 mil trabalhadores de call centers foram regularizados durante os últimos três anos por ação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo. Esses empregados eram registrados como pessoa jurídica ou em forma de cooperativas.

"O serviço ainda é recente no Brasil. As empresas foram se estruturando de forma gradativa", explica o superintendente do órgão, José Roberto de Melo. "Buscamos fazer um ajuste de conduta, de forma a regularizar progressivamente."

Melo afirma que a superintendência aumentará o foco na NR-17 (norma regulamentadora), que define condições de trabalho -entre elas, as de ergonomia, ruído e pausas.

O MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) fez 73 fiscalizações em 159 autos no ano passado no Brasil. Neste ano, até o mês de março, foram 36 fiscalizações para 62 ações.

João Moura Neto, presidente da Fittel (que reúne sindicatos de trabalhadores estaduais em telecomunicações), diz que as empresas avançaram na ergonomia, mas não querem cumprir, por exemplo, o intervalo para descanso. "É necessário que haja essa pausa", reitera.

"Durante as medições [da Anatel]", completa Ricardo Pereira, presidente do Sintel-RJ (sindicato dos trabalhadores do setor), "os trabalhadores não podem sequer ir ao banheiro". A Associação Brasileira de Telesserviços não se posicionou sobre a NR-17.


     

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