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26/04/2009 - 11h00

Polícia tem 201 queixas de falso emprego em 23 dias

RAQUEL BOCATO
colaboração para a Folha de S.Paulo

Desde o começo do mês, quando a Polícia Civil de São Paulo prendeu 19 pessoas acusadas de estelionato --prometiam vagas de emprego inexistentes--, até as 8h da última quinta-feira, 201 trabalhadores fizeram boletim de ocorrência para denunciar a farsa. O levantamento foi feito pelo 3º Distrito Policial de São Paulo --para onde os casos estão sendo direcionados-- a pedido da Folha.

Os números, no entanto, não param de crescer. Somente na manhã da última quinta-feira, três outras vítimas aguardavam para registrar queixa.

Na fila, pessoas que, ludibriadas por uma falsa promessa de emprego, vendiam cartões de facilidade --que previam desconto em clínicas-- como condição para serem efetivadas.

No desespero para garantir o posto, muitos contavam com a colaboração de parentes para completar o mínimo de vendas --com valores de até R$ 850.

Por lei, todos deveriam ser contratados. Mas, a cada venda, passavam por teste. Reprovados, recomeçavam a vender.

Fora das estatísticas

Existe ainda uma outra forma de enganar trabalhadores e que não está refletida nesses números. Oferecendo salários competitivos, supostas agências de emprego fazem uma entrevista e asseguram a efetivação. Para finalizar o processo, no entanto, deve ser feita uma avaliação psicológica ou haver a participação em um curso --que pode custar até R$ 10 mil.

A vaga, porém, não existe. Segundo a promotora de Justiça Adriana Borghi, do Ministério Público Estadual, há casos em que a agência usa o nome de uma grande empresa para atrair o profissional, mas nem a vaga nem mesmo a função existem na companhia.

Desconfiado após cobrarem dele R$ 300 para participar de uma entrevista, o operador de produção Eduardo Ferreira dos Santos, 39, assinou o contrato, mas pediu para fazer o depósito no dia útil seguinte.

Contatou a suposta contratante. "Eles negaram que tivessem contratado aquela empresa para fazer a seleção e até que houvesse vagas abertas."

Uma coincidência, porém, impediu a especialista em petróleo e gás Regina Coeli Soares, 49, de ter a mesma sorte. Como havia entregado currículo à empresa em que era oferecida a vaga meses antes, concordou em pagar R$ 600 por um curso em janeiro. "Liguei várias vezes, mas desligaram na minha cara."


     

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