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26/04/2009 - 11h04

Desconfiança ronda trabalhador afetado por golpe da vaga

colaboração para a Folha de S.Paulo

"Fiquei revoltada", desabafa a arquiteta Margaret Nardi, 48, sobre o momento, há cerca de três anos, em que descobriu que a vaga prometida pela consultoria não existia. Ela havia pago R$ 1.000 por um teste.

Fez protesto na porta da empresa, localizada na avenida Paulista, centro de São Paulo. Ficava na entrada, alertando outros profissionais --"desempregados, com família"-- a não pagarem um centavo. Fez isso "umas dez ou 15 vezes".
"Depois disso, não aceitei várias entrevistas de emprego", diz ela sobre como a experiência a afetou profissionalmente. A desconfiança de cair na mesma armadilha é comum a trabalhadores contatados por falsas agências de emprego.

"Só aumenta a frustração, fragilizando ainda mais o profissional", considera Mário César Ferreira, professor do departamento de psicologia social e do trabalho da UnB (Universidade de Brasília). Combater a insegurança, segundo ele, requer uma ação: munir-se de informações sobre a agência de empregos, a contratante e a vaga antes de comparecer à próxima entrevista.

Encarar a experiência de forma natural também ajuda. "Todos somos potenciais vítimas de golpes", pontua Ferreira.

Esses atos são conduzidos por profissionais, sinaliza a consultora trabalhista Sônia Mascaro Nascimento, que recomenda aos trabalhadores não pagarem nada antecipadamente em seleções de emprego.

Custos

O custeio de avaliações psicológicas, assinala a conselheira do Conselho Federal de Psicologia Alexandra Ayach Anache, tem de estar explícito no momento da inscrição.

"Isso deve ser dito ao candidato", reafirma Anache, que acrescenta que, na maioria dos casos, é a contratante quem arca com esses custos. Cursos também devem ser de responsabilidade da contratante, destaca Nascimento.

A assistente contábil Gislaine Amaral, 32, no entanto, após ser aprovada em uma seleção, teve de desembolsar R$ 1.300 por um curso se capacitação.

"Eu teria que acertar ali para que o certificado ficasse pronto e fosse encaminhado à empresa." Telefonou e enviou e-mails para ver o resultado, mas nunca obteve retorno. "Estava fragilizada, há mais de um ano sem emprego. Fiquei com medo."


     

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