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28/06/2009 - 08h33

Síndrome obriga profissional a reduzir atividades

RAQUEL BOCATO
colaboração para a Folha de S.Paulo

Profissionalmente, Margarida Makiyama, 41, sempre chegou aonde quis. Até 2001, havia traçado uma trajetória ascendente na área de publicidade, com passagem por algumas das maiores empresas do país. Depois, investiu em medicina oriental, conquistando uma extensa carteira de clientes.

Em 2005, porém, foi atacada por dores constantes na região do fígado e dos rins. O cansaço não a deixava -nem um repouso de 24 horas surtia resultado.

Com dores no corpo, falta de força física e problemas de memória, recorreu a médicos. Seis meses depois, teve o diagnóstico: síndrome da fadiga crônica. "Perdi a voz por três meses. Não conseguia mais andar."

O mal, segundo pesquisas, ataca de 0,6% a 2,6% da população, de acordo com a região de estudo, diz o reumatologista Roberto Heymann, da Universidade Federal de São Paulo.

Diagnóstico

As causas da síndrome, que ainda não tem cura, não são completamente conhecidas. Também não há exames laboratoriais que a identifiquem. "O diagnóstico é clínico e, muitas vezes, leva de cinco a seis anos até que o paciente descubra o que tem."

Os exames auxiliam a excluir outras causas de fadiga, como câncer e doenças metabólicas, e nem todos os profissionais estão habilitados a diagnosticá-la, dado o pouco conhecimento sobre a síndrome, explica o presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor, Carlos Mauricio de Castro Costa (veja ao lado os sintomas da doença).

Quem padece do mal encontra dificuldade não só no esclarecimento da síndrome como também no mercado de trabalho. Não raro, a falta de energia é vista como acomodação.
Quando começou a ficar cansado demais para o trabalho do dia a dia na empresa, o jornalista H.A., 54, parou de investir em projetos paralelos.

Apesar de ter obtido o diagnóstico em 2004, só comentou com a chefia sobre seu quadro de saúde no fim do ano passado, quando pleiteou a mudança de sua jornada diária.
Por enquanto, diz preferir não contar aos colegas sobre o mal, por causa do estigma que cerca a síndrome.

Agora, o jornalista deve migrar para uma área correlata. Margarida Makiyama, que havia cancelado os atendimentos, já os retomou parcialmente. "Tenho pensado em trabalhar no mercado financeiro."


     

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