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19/07/2009 - 10h08

Empresas buscam incentivar a cordialidade entre funcionários, mas temem exageros

DANILO VILELA BANDEIRA
colaboração para a Folha

Gestores e funcionários começam a se convencer de que é mais produtivo para as empresas estimular a amizade entre funcionários do que incentivar a competitividade.

Essencial para gerar um ambiente mais agradável de trabalho, o bom relacionamento também é percebido entre grupos com forte engajamento.

Um levantamento recente realizado pela Hewitt Associados mostra que, entre 217 grandes empresas na América Latina, a satisfação com os colegas chega a 95% em equipes altamente engajadas.

Especialistas, no entanto, afirmam que é preciso observar com atenção os limites entre o pessoal e o profissional.

"É algo que tem de ser encarado com bom senso", recomenda Luis Bueno, gerente de recursos humanos do McDonald's. "Mas bom senso é coisa escassa", argumenta.

A rede de restaurantes diz ter iniciativas para incentivar a amizade. Entre as ferramentas, há um tipo de Orkut interno para aproximar funcionários.

No McDonald's e em outras empresas, o namoro entre colegas é permitido, sob a recomendação de alocá-los em setores diferentes, a fim de evitar insinuações de favorecimento.

O motivo é que a cumplicidade excessiva entre duas ou mais pessoas pode criar transtornos. Um dos exemplos é quando a intimidade entre colegas cria espaço para excluir membros da equipe ou encobrir erros, pondera a psicóloga organizacional Cristina Limongi, professora da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo).

Entre casais, o problema é maior quando há relação de subordinação. Nessas situações, há empresas que chegam a exigir pedidos de autorização para o primeiro encontro.

Roberto Britto, gerente de recrutamento da consultoria Robert Half, considera a prática exagerada e diz que a honestidade é mais eficaz. "O melhor é sempre comunicar o relacionamento aos superiores."

Atritos

Além de cordialidade e casamento, em um ambiente de trabalho não é raro surgirem divergências inconciliáveis.

Nesses casos, dizem especialistas, é responsabilidade do gestor identificar o foco do problema e, se o diálogo não resolver, transferir os funcionários.

Consultores ressaltam a importância da harmonia, mas reconhecem que ela não é pré-requisito para bom rendimento.

Um exemplo são empresas que investem no conflito para aumentar a produtividade, como se dá no setor de vendas, aponta Limongi. "O gestor elogia um, não elogia outro e cria um ambiente que favorece o conflito. Mas, a longo prazo, a prática prejudica a empresa."


     

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