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27/10/2004
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15h20
Colunista: Arquitetura de Interiores - uma boa alternativa?
LUCIANO IMPERATORI ESPECIAL PARA A FOLHA ONLINE Quantos arquitetos já não se depararam com a seguinte situação: Prestes a terminar um projeto ou já finalizado, surge a figura do (a) decorador (a) ou do arquiteto de interiores com idéias inovadoras, extraídas de revistas importadas ou nacionais, que são facilmente vendidas aos clientes.
Profissionalmente falando, quando um projeto está concluído, significa que ele passou por um longo processo de desenvolvimento junto ao cliente. Portanto, já apresenta uma solução estudada na hierarquia e distribuição dos espaços internos, conforme suas necessidades.
Mas na opinião de decoradores, os verdadeiros profissionais arquitetos só entendem de edificação e técnicas construtivas. Assuntos de ambientes e as reais necessidades do cliente pouco conhecem ou não têm qualquer habilidade para tratar destes aspectos, criando uma separação inconcebível entre forma e conteúdo. Afinal, no entendimento deles, os decoradores são pessoas "antenadas" e "descoladas" e tudo sabem da última tendência.
O pior de tudo isto é que muitos clientes têm total credibilidade nestes "profissionais", se assim poderíamos chamá-los. Será que existe alguma separação entre casca e conteúdo? Os resultados de uma edificação não surgem de soluções internas e funcionais extraídas de longas conversas com o cliente?
Antes de continuar, gostaria de esclarecer a diferença, no meu ponto de vista, entre decoradores e arquitetos de interiores. Decoradores são procedentes de qualquer área de trabalho como direito, administração, engenharia até mesmo do lar. Eles vendem uma imagem de exímios conhecedores de decoração e se consideram professores da matéria, tendo realizado ou não, qualquer curso que lhe dê direito ao ABD registro profissional concedido pela Associação Brasileira de Designers de Interiores.
Já os arquitetos de interiores cursaram uma faculdade de Arquitetura e possuem CREA - registro profissional concedido pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia habilitando-os de realizar qualquer intervenção que considerar necessária para "resolver" os projetos.
Para não generalizar, é preciso esclarecer que nem todo projeto de arquitetura apresenta boas soluções e nem toda arquitetura de interiores ou de decoração são devastadoras, no entanto, quero salientar a falta de pudor de certos profissionais.
Os maus profissionais destas duas áreas, literalmente, invadem o projeto de outro profissional sem considerar o trabalho de pesquisa, elaboração e conceituação que levaram àquele resultado, alterando todo o arranjo interno do edifício, prejudicando seu bom funcionamento.
No caso dos decoradores que tem uma postura auto-suficiente, ou seja, não procuram o verdadeiro autor do projeto para então desenvolver o seu próprio projeto em harmonia com o que já existe. Por fim, o resultado de seus trabalhos são os piores e agressivos. Porém considerando que não possuem qualquer formação acadêmica em arquitetura e não dispõem de respaldos históricos, não seguem qualquer código de ética profissional.
Obviamente, isto não os exime de respeitar a criação de um profissional gabaritado e devidamente credenciado para realização destes trabalhos. A pior situação é encontrar um profissional de formação acadêmica --que fez os mesmos juramentos em sua formatura mas mesmo assim se acha no direito de interferir e alterar projetos arquitetônicos como se nada existisse antes da sua chegada.
A maiorias destas pessoas têm auto-estima elevadíssima e colocam seu ponto de vista acima de qualquer outro pensamento, menosprezando, inclusive, a do próprio cliente. Na opinião deles, seus clientes não entendem nada sobre decoração e se entendessem, não os tinham contratado.
Portanto, suas opiniões são as mais importantes e viáveis, mesmo que estas tenham sido extraídas de exemplos já executados. O importante, na opinião deles, é criar ambientes fotogênicos e que sejam "fashion", ou seja, da moda. Mas o inconcebível de toda esta situação é que grande parte dos clientes aceita as opiniões destes decoradores, afinal eles estão sempre em destaque nas revistas e eventos e sem dizer na fortuna que é desembolsada.
Com estas intervenções, é comum que o projeto arquitetônico original perca sua funcionalidade, uma vez que os decoradores e os arquitetos de interiores acreditam que tudo dentro de um "invólucro" (leia-se edificação) é território deles e possuem total autoridade.
Mudam paredes, salas, quartos, funções e hierarquias dos ambientes, tirando toda a coerência e mecânica do projeto arquitetônico. Mas para eles isto não é relevante, porque o cliente terá um belo ambiente para mostrar aos outros e, quem sabe, sair em alguma revista especializada.
Habitar...? Pouco importa, pois daqui a seis meses a moda muda e o cliente reforma tudo, pois a tendência é outra! Porém o cliente é o mesmo...
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