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13/12/2004 - 15h24

Mercado imobiliário descobre novas áreas verdes em SP

EDSON VALENTE
free-lance para a Folha

Ainda é possível respirar ar puro na "selva de pedra". O município de São Paulo possui cobertura vegetal em metade de seu território, segundo a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, e esconde oásis verdes que valorizam os imóveis de seu entorno.

Uma das regiões mais valorizadas é a da Vila Andrade, que foi campeã em lançamentos residenciais na cidade em 2003 e 12ª colocada no ranking de cobertura vegetal por habitante do Atlas Ambiental do Município de São Paulo, relatório ambiental lançado em outubro. "Os terrenos no local são enormes, com pequena taxa de ocupação", comenta o arquiteto Ricardo Julião, 58.

Mas não é só em áreas consagradas, com preços que podem devastar o orçamento, que se encontram imóveis com uma boa vista da natureza.

O distrito Parque do Carmo, na zona leste, por exemplo, só desponta agora aos olhos dos especialistas, com o surgimento de condomínios de padrão médio.

"Existe um grande espaço que não foi aproveitado", pondera Luiz Paulo Pompéia, diretor da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio). "Os preços são menores que os de outras áreas verdes, e haverá crescimento. Segundo ele, o metro quadrado vale R$ 1.128."

"A região está em processo de consolidação", concorda João d'Ávila, sócio da Amaral d'Avila Engenharia de Avaliações.
O Parque do Carmo aparece na oitava posição do ranking do Atlas Ambiental, liderado por distritos periféricos e pouco atraentes aos incorporadores, como os longínquos Marsilac e Parelheiros.

Na zona oeste, a qualidade de vida é motivo de "grande chance de valorização" no distrito de Vila Sônia, no entorno da Chácara do Jóquei, uma área preservada e desapropriada pela prefeitura.

"Nela caberia um único empreendimento", ressalta Pompéia. "Os preços, de classe média ascendente, são menores que os da Vila Andrade, por exemplo." D'Ávila aponta também a Vila Indiana, próxima à Cidade Universitária, como outra cercania em crescimento, com "vista eterna" sobre o campus.

Parques privativos

Essa é uma tendência nos lançamentos imobiliários: prédios que ocupam grandes lotes, rodeados por áreas verdes.
"É o diferencial para moradores que querem o espaço de uma casa e a segurança de um condomínio", classifica o consultor de investimentos Bernd Rieger, 63. "Mas trata-se de um produto caro, por causa da localização e da área do terreno."

"O verde está para o paulista assim como o mar está para o carioca", compara Marcella Carvalhal, 32, gerente de marketing da Klabin Segall. Apostando nisso, a incorporadora vai erguer o Acervo, no Alto de Pinheiros (zona oeste), em um terreno de 15 mil metros quadrados, que terá até "um pomar com árvores frutíferas". O contato com a natureza será privilégio de quem desembolsar de R$ 618 mil a R$ 1,2 milhão pelos apartamentos.

No Alto da Boa Vista (zona sul), o Chácara Europa, da incorporadora Inpar, ocupará um terreno de 63 mil m2. "Entregaremos um parque aberto ao público de 20 mil metros quadrados", dimensiona Sérgio Pardal, 43, gerente de incorporação. Logo em frente, os compradores das casas de R$ 3,5 milhões a R$ 5 milhões ainda avistarão um outro parque, de 31 mil metros quadrados.

Para incorporar seu primeiro residencial no país, a Tishman Speyer, por sua vez, escolheu um terreno de 27 mil metros quadrados na Granja Julieta (zona sul), com 200 árvores preservadas. "Tudo foi pensado a partir do verde", define o presidente, Daniel Citron, 50.

Em municípios vizinhos da capital, também há oportunidades de encontrar o verde bem à porta. Em Osasco, a Camargo Corrêa planeja, para 2005, o lançamento de um empreendimento com 33 mil metros quadrados de área verde, ao lado do São Francisco Golfe Clube.

O paisagista Benedito Abbud, 54, lembra que é preciso monitorar a "saúde" da população verde desses redutos urbanos. "Árvores contaminadas por cupins precisam ser substituídas", enfatiza.

     

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