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19/12/2004 - 18h09

Itaquera é líder em lançamentos de casas em SP

EDSON VALENTE
free-lance para a Folha

Como um azarão, Itaquera deixa para trás outras regiões tradicionalmente visadas para a construção de condomínios de casas, como Morumbi e Butantã, e assume a ponta no ranking desse tipo de lançamento na cidade.

Em 2003, o crescimento já se delineava: o distrito ostentava ao final do ano a marca de dez novos empreendimentos, totalizando 124 unidades, atrás apenas do Butantã (zona oeste). De janeiro a setembro deste ano, foram 12 lançamentos, com 199 casas, aumento de 60,48%.

O preço do metro quadrado subiu. O dos imóveis de dois dormitórios saltou de R$ 1.073,19 em 2003 para R$ 1.200,53 em 2004, e o dos de três foi de R$ 1.014,29 para R$ 1.311,38.

A atração dos incorporadores se explica pelos preços de terrenos, mais baratos do que em outras regiões --cerca de R$ 150 a R$ 200 o metro quadrado- e pela demanda reprimida da classe média. "Há carência de habitação no distrito", explica Edison de Oliveira, 43, presidente da Pro Paraíso BR Empreendimentos, que atua em Itaquera há quatro anos.

Sobrados

Os condomínios geralmente são fechados, muitos com guarita, e têm sobrados geminados, construídos para famílias com renda mensal entre R$ 2.000 e R$ 5.000. "Os preços estão na faixa de R$ 65 mil a R$ 85 mil", especifica Ronaldo Boer, 40, diretor comercial da Santim Boer Empreendimentos Imobiliários, que atua na região. "O dos três-dormitórios chega a R$ 150 mil", rebate Domingos Fernandes, 62, corretor da imobiliária Almar.

A incorporadora Santim Boer ergueu dois residenciais em Itaquera. O Cancun tem 15 casas de dois e três quartos, com área útil de 60 a 72 mestros quadrados. No Villaggio Aruba, são seis casas de 59 metros quadrados, que custam R$ 65 mil -- ambos ficam na Vila Carmosina, área que mais concentra lançamentos.

A infra-estrutura de Itaquera é um diferencial aos olhos dos incorporadores. Boer conta que seu maior argumento de vendas é o metrô, que dá acesso ao centro. Reginaldo Marchi, 36, sócio da imobiliária Xavier & Brito, destaca as vias de acesso, como a Radial Leste. "E será ampliada a Jacu-Pêssego [que corta o distrito e serve de acesso à marginal Tietê]. O comércio tem se intensificado, grandes redes têm instalado lojas em prédios próprios."

Terrenos mais caros

O impacto dessa movimentação já é percebido nos valores dos terrenos. "Estão um pouco mais caros", calcula Marchi. "Uma fração de lote, que há um ano custava R$ 15 mil, agora não sai por menos de R$ 20 mil", constata.

Algumas incorporadoras começam a temer os aumentos. A Pro Paraíso BR já pensa em procurar opções em outras áreas da zona leste. "Há menos lotes, que não são mais tão baratos", diagnostica Oliveira. "E não há como repassar os aumentos de custo para o comprador final. Se o imóvel encarecer, não será vendido."

Mas ainda há espaço para crescer e "grande disponibilidade de terras", avalia João Freire d'Ávila Neto, sócio da Amaral d'Ávila Engenharia de Avaliações. A atratividade do distrito é restrita a moradores da zona leste, que "correspondem a 95% dos compradores", segundo Marchi.

Metrô

A bancária Márcia Stacioni, 40, diz que foi cativada pela acessibilidade. "Meu filho faz faculdade na Barra Funda e usa o metrô", explica. "Até para ele arrumar emprego foi mais fácil." Ela conta que morava no distrito de Itaim Paulista, também na zona leste, e levava cerca de duas horas para chegar de ônibus até o centro.

A proliferação de casas passa a atrair incorporadores de prédios. Caso da Itaplan Imóveis, que ergueu duas torres de apartamentos de dois quartos, com preços de R$ 59 mil a R$ 70 mil. "Metade dos compradores são solteiros ou noivos, que ganharam dinheiro com o comércio nas proximidades e buscam o primeiro imóvel", descreve o diretor de marketing, Fábio Rossi, 39.

     

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