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10/01/2005
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15h50
Construtoras apostam em imóveis para classe média em 2005
NATHALIA BARBOZA free-lance para a Folha
Nos últimos anos, os lançamentos de imóveis em São Paulo passaram longe do orçamento da classe média. Mas, em 2005, animadas com a possibilidade de aumento de renda desse estrato social, as incorporadoras prometem voltar seu foco a esse consumidor.
Com a recuperação, as chamadas elites [camadas de maior poder aquisitivo] dos bairros farão a roda do mercado girar, sobretudo na periferia, especula o auditor de investimentos Bernd Rieger, 63.
"Quem mora em um bairro não quer se mudar. Se melhora de vida, procura terrenos mais valorizados por lá", explica Rieger. "Foi o que aconteceu na Vila Nova Conceição [zona sul]."
Seguindo esse raciocínio, a construtora e incorporadora Gafisa aposta em Santana (zona norte), na Mooca (zona leste) e sobretudo no Butantã (zona oeste). "Têm população cativa, que quer continuar lá", afirma Odair Senra, 58, diretor de incorporação.
A Mooca também é o alvo das incorporadoras Setin e Cyrela. Esta última já havia lançado dois condomínios no bairro em outubro do ano passado.
A jornalista Camila Pessanha, 25, enquadra-se no perfil de fidelidade ao bairro. Desde que nasceu mora no Campo Belo (zona sul) e agora não quer sair de lá. Conta que procura um apartamento com preço próximo de R$ 80 mil e localizado na zona sul. "Quero ficar, mas não encontro um apartamento novo na Vila Mascote ou no Jardim Marajoara [ambos na zona sul] que não me obrigue a gastar muito mais para completar os acabamentos", relata.
Perdizes
Outra aposta é Perdizes (zona oeste), onde a Setin lança um edifício neste início de ano. "Buscamos bairros bons para morar, perto de tudo e com terrenos não muito caros, como Vila Romana e Lapa [ambos na zona oeste]", lista o presidente, Antonio Setin, 49.
De olho na classe média alta, a construtora Tecnisa também se interessa por Perdizes, além de Campo Belo, e pretende lançar seis produtos para esse público até junho. Outra região de interesse é o centro.
A Cyrela prepara uma novidade para a região. Será o primeiro de 15 produtos previstos para este ano, que terão preço médio de R$ 200 mil, revela Ubirajara Freitas, 43, diretor de incorporação da vice-líder do ranking do Prêmio Folha de Qualidade Imobiliária.
Mais baratos
A periferia, onde há a maior oferta de terrenos pouco afetados pelas restrições urbanísticas da nova Lei de Zoneamento, também deve despertar mais interesse nos incorporadores.
Bairros como Itaquera (zona leste), Guaianazes (zona sul), Pirituba (zona norte) e Horto do Ipê (zona sul) estão na mira da construtora Tenda, que concentra 80% de seus negócios em imóveis para a classe média baixa, avisa Henrique Alves Pinto, 30, presidente da empresa, que financia com recursos próprios unidades que custam a partir de R$ 40 mil.
Já a construtora MRV prospecta terrenos para imóveis de R$ 50 mil a R$ 80 mil no Morumbi (zona oeste), na zona leste e no ABC. Outro fator que deve forçar os lançamentos é a necessidade das incorporadoras de tirar do papel projetos aprovados às pressas antes do Plano Diretor e da nova Lei de Zoneamento, que entra em vigor em 3 de fevereiro: 2005 marca o fim do prazo legal para que muitos deles sejam iniciados.
A incorporadora Kallas vai lançar os dois últimos projetos que passaram antes da nova lei, entre eles um na Barra Funda. O estoque de projetos aprovados na prefeitura poderá abastecer o mercado neste ano. Mas, depois disso, de acordo com o Secovi-SP (sindicato de construtoras e imobiliárias), os preços dos imóveis "subirão inevitavelmente".
Para Rubens Pereira Júnior, 50, diretor de incorporação da Koema, entretanto, a ecuperação dos preços será mais lenta. "Esse processo vai levar tempo", prevê.
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