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15/01/2006
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13h57
Água Rasa vira novo alvo de classe média em SP
da Folha de S.Paulo
De um lado, a Mooca. De outro, o Tatuapé. Rodeada pelos dois distritos mais valorizados da zona leste, mas com preços mais convidativos para o bolso de incorporadores e de compradores, a Água Rasa chegou, em 2005, ao sexto lugar no ranking de lançamentos de apartamentos de São Paulo, segundo pesquisa da Amaral d'Avila Engenharia de Avaliações.
Foram incorporados no distrito, de janeiro a novembro, oito novos empreendimentos, totalizando 592 unidades.
Quem está de olho na região é a classe média. Segundo a Amaral d'Avila, por lá predominam apartamentos de dois ou de três dormitórios, com duas vagas de garagem, metragem útil de 68 m2 a 138 m2 e preços de R$ 170 mil a R$ 318 mil. O metro quadrado de novos vale de R$ 2.150 a R$ 2.800, cifras correspondentes às encontradas em outros redutos da classe média, como Ipiranga e Butantã.
"São apartamentos com grandes áreas de lazer, que vendem o conceito de "condomínio clube'", caracteriza Fábio Rossi, 39, diretor de marketing da Itaplan, imobiliária que atua na região.
"Os apartamentos atraem compradores de toda a zona leste, como Belém e Carrão. Adquirir na planta é bom investimento, pois eles têm se valorizado muito."
Sintomaticamente, os lançamentos imobiliários diminuíram nos vizinhos Mooca e Tatuapé em 2005, em relação a 2004. O Tatuapé pulou da quarta posição no ranking para a 11ª. A Mooca foi terceiro lugar em 2004, mas não ficou nem entre os 25 primeiros no ano passado.
O perfil dos moradores é o de famílias, especialmente casais jovens. Muitos deles não conseguem arcar com os valores da Mooca e do Tatuapé e buscam os apartamentos "com cara bonitinha e materiais bem escolhidos" da Água Rasa, descreve o auditor de investimentos Bernd Rieger.
Infra-estrutura
No bairro, os compradores encontram vantagens de infra-estrutura semelhantes às do Tatuapé e da Mooca. "Os acessos viários são bons e há shopping centers ao redor", pondera Rieger. "Como é uma região antiga, está bem suprida de comércio e de serviços", lembra Rossi.
As avenidas Salim Farah Maluf e Sapopemba escoam o tráfego da região, que também está próxima das avenidas Celso Garcia (Tatuapé) e Paes de Barros (Mooca). Para as compras, localizam-se nas imediações os shopping centers Anália Franco e Metrô Tatuapé.
"Há ainda a vantagem de as ruas serem arborizadas. Além disso, a altura do local permite que já do quarto ou do quinto andar dos edifícios se tenha uma vista bem aberta", diz Rossi. O parque da Mooca fica nas proximidades.
Terreno barato
A explicação para o crescimento imobiliário do distrito passa pelos valores de terrenos. "Os lotes são mais baratos do que os do Tatuapé e os da Mooca", calcula Celso Amaral, sócio da Amaral d'Avila Engenharia de Avaliações.
"Custam, no mínimo, 20% menos", dimensiona o consultor Feliciano Giachetta, sócio da FGI Negócios Imobiliários.
E são mais facilmente encontrados pelos incorporadores. "Os espaços, mais amplos, eram ocupados por indústrias, depósitos e transportadoras", observa Antonio Setin, 50, presidente da Setin.
Para "montar" um terreno grande, de cerca de 10 mil metros quadrados, "não é preciso comprar um monte de casinhas", argumenta Rossi.
Mas o status de morar na Água Rasa ainda está longe de estar à altura do dos vizinhos. "Vai demorar pelo menos três anos para ser um bairro realmente atrativo", opina Rieger.
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