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03/12/2006 - 09h24

Santana conquista status de luxuoso regional

DÉBORA FANTINI
EDSON VALENTE
da Folha de S.Paulo

Apesar da valorização do bairro de Santana, uma de suas principais características não se alterou: o caráter regional do comprador dos lançamentos.

"São pessoas criadas na região e que querem permanecer ali, mas pretendem trocar as casas antigas por apartamentos modernos", define o corretor Paulo Franco, 61.

Além desse perfil, o bairro atrai compradores de outras regiões da zona norte. "Para quem consegue um padrão de vida melhor, o chique é viver em Santana", observa Celso Amaral, sócio da Amaral d'Avila e da Geoimovel.

Além da oferta abrangente de serviços e da proximidade do centro da cidade, outra vantagem de Santana é a presença de áreas verdes: os parques da Cantareira e Albert Löefgren (Horto Florestal).

Há 20 anos, o mercado era atendido por empresas familiares, como El-Tayar, Lanellas e Santos. As três continuam em atividade, mas dividem terreno com construtoras maiores.

A incorporadora Cyrela, por exemplo, esperou duas décadas para construir em um terreno que havia comprado: só em junho deste ano lançou a pedra fundamental do Ápice --residencial de três torres, que totalizam 248 apartamentos com área privativa de 121 m2, ao preço médio de R$ 350 mil.

No Arboris, lançado em novembro pelas incorporadoras Lider e Klabin Segall, um dos condomínios terá bosque privativo, e o outro ficará ao lado de um bosque público que foi doado pelas duas empresas à Prefeitura de São Paulo.

O apartamento de quatro dormitórios custa cerca de R$ 370 mil, e o de três, R$ 260 mil. A Lider está estudando a compra de terrenos na zona norte, informa o superintendente de negócios, Marcus Duarte, 44. "É uma região com infra-estrutura completa", diz.

Na avaliação de Marcela Carvalhal, gerente de marketing da Klabin Segall, "Santana tem oferecido apartamentos de acabamento mais sofisticado e com várias opções de planta".

Mas, para Franco --que aponta as ruas Alfredo Pujol, Pedro Doll e Marechal Hermes da Fonseca como as de maior potencial de verticalização-, o mercado santanense ainda carece de apartamentos na faixa de R$ 150 mil.

Contras

O desenvolvimento, no entanto, também causou problemas. "O trânsito na região está ruim", pondera Amaral. "E os terrenos estão caros."

Quem quer viver na zona norte e "não pode morar onde ficou caro demais" tem buscado apartamentos mais baratos em bairros vizinhos, como Tucuruvi e Tremembé.


     

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