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25/02/2007 - 09h01

Moradores abraçam vizinhos, mas repelem edifícios

da Folha de S.Paulo

Os compradores de imóveis novos ou usados na Vila Mariana dividem-se em dois grupos. "São do próprio distrito ou migrantes que chegam de diversas regiões da capital paulista e alguns poucos vindos do interior do Estado", define o gerente comercial da Helbor Empreendimentos Imobiliários, Marcelo Bonanata.

No dia-a-dia do distrito, a divisão de perfis dissolve-se na boa convivência entre moradores antigos e recém-chegados.

Para morar mais perto do trabalho, a publicitária Ivana Zanna, 30, e seu marido, o administrador de empresas Roberto Morganti, 30, mudaram-se do Tatuapé (zona leste), onde cresceram, para um apartamento na Vila Mariana de três dormitórios, 93 m2. "E varanda para as minhas plantas", salienta Zanna.

Além da localização e da infra-estrutura do distrito, o clima dos moradores foi decisivo na escolha. "Chegamos a olhar apartamentos em Higienópolis e nos Jardins, mas só na Vila Mariana encontramos gente com nível intelectual e cultural igual ao nosso e que quer prosperar trabalhando. Os moradores antigos são hospitaleiros", afirma a publicitária.

Na lista de vantagens, inclui ainda o fato de a área não estar saturada de prédios e de ser vizinha de uma unidade do Sesc (Serviço Social do Comércio). O único "porém", para ela, é a distância da família. "Mas sem trânsito, chegamos ao Tatuapé em 20 minutos", diz.

Cinqüentenário

Já para o comerciante Walter Taverna, 72, que nasceu na região do Bexiga, na Bela Vista (zona central), mas adotou a Vila Mariana há mais de 50 anos, um ponto negativo do distrito é a falta de segurança. "Já roubaram dois carros na porta da minha casa", conta.

Taverna é um dos fundadores da República de Vila Mariana, grupo de moradores do distrito que têm o objetivo de "fazer da região a mais bonita de São Paulo", explica.

Uma das bandeiras de Taverna é a preservação do patrimônio histórico do distrito, que tem três bens tombados: o Parque Modernista, a Cinemateca e a Casa das Rosas.

Outro bem tombado, o parque Ibirapuera --que se localiza no distrito vizinho de Moema, apesar de ser usado como apelo nos anúncios de imóveis à venda na Vila Mariana- não é a única área verde generosa da já arborizada região.

"Passei minha infância brincando no Instituto Biológico", lembra a jornalista Denise Delfim, 45, editora do jornal local Pedaço da Vila, distribuído pelo distrito e disponível na internet, no endereço www.pedacodavila.com.br. "A Vila Mariana é daqueles lugares em que as pessoas batem papo quando se encontram na padaria", descreve Delfim.

Segundo ela, um hábito local é fazer festas para reunir os moradores, como a que está programada para março, dando início às comemorações dos 80 anos do Instituto Biológico.

Verticalização

"A população da Vila Mariana é unida, reúne-se para festejar e para brigar também", afirma a jornalista. Uma das frentes de batalha, afirma, é a oposição à verticalização.

"Ficamos protegidos até a década de 70, quando a [avenida] 23 de Maio foi construída, e a Vila Mariana ficou ao lado do centro", afirma César Michel, da associação.

Segundo Michel, a infra-estrutura antiga do distrito pode não suportar o aumento da demanda de mais moradores.

O arquiteto Fernando Vecchia, 49, supervisor de planejamento da Subprefeitura de Vila Mariana, contra-argumenta: "Isso não é verdade. Aqui tem equipamentos de saúde, lazer, educação, transporte, serviços e saneamento que podem e devem ser aproveitados por mais pessoas".


     

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